Moscou - Moscou organiza amanhã uma eleição antecipada na Chechênia para designar o sucessor do presidente pró-russo Ajmad Kadyrov, morto num atentado rebelde, numa semana em que ocorreram ataques separatistas em Grozny e um grupo islâmico reivindicou a destruição de dois aviões comerciais russos.
De acordo com a comissão eleitoral chechena, ''tudo está pronto'' para estas eleições que reunirão sete candidatos à presidência, com as cédulas eleitorais impressas e as 430 mesas preparadas para os cerca de 587.000 eleitores inscritos.
Um dispositivo eleitoral clássico que poderia levar a crer que esta eleição presidencial é normal, tal como declaram as autoridades russas, apesar da guerra que assola a região há cinco anos.
Segundo os separatistas, este momento político é apenas outra encenação para enganar a população que irá escolher apenas um ''fantoche'' para Moscou, que antes mesmo de ser indicado já foi ameaçado de morte pelo dirigente rebelde Aslan Maskhadov.
Esta é uma ameaça que deve ser considerada, levando-se em conta o fim trágico do anterior presidente Ajmad Kadyrov, assassinado durante um evento oficial, as recentes operações dos rebeldes em Grozny e a reivindicação feita por um grupo islâmico nesta sexta-feira do atentado contra dois aviões comerciais russos nas regiões de Tula e Rostov, que deixaram 89 mortos.
No fim de semana passado, os rebeldes desafiaram Moscou quando assumiram o controle de vários bairros de Grozny, ocupando os postos de controle, matando dezenas de polícias chechenos pró-russos e soldados federais, ao mesmo tempo que atacaram várias zonas eleitorais.
Em relação à queda dos dois aviões na noite da terça-feira passada, as autoridades tentaram descartar perante a opinião pública russa a hipótese de atentando, defendida pela imprensa local.
Mas nesta sexta-feira o FSB (serviços especiais) admitiu que ''pelo menos uma das catástrofes aéreas, a da região de Rostov, foi o resultado de um ato terrorista''.
A declaração foi feita pouco antes de o grupo islâmico, ''Brigadas Islambuli'', reivindicar a autoria das duas catástrofes, num documento que ainda não foi autenticado e que informa que ''cinco combatentes haviam embarcado em cada um dos aparelhos. ''Nossos mujahedines conseguiram executar o primeiro ataque, que será seguido por uma série de operações com o objetivo de apoiar nossos irmãos na Chechênia e em outras regiões que sofrem por causa da Rússia'', afirma o texto.

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