São Paulo - Um dia após a confirmação da sentença de morte de Saddam Hussein, a Federação Internacional de Ligas de Direitos Humanos (FIDH) pediu ontem aos dirigentes iraquianos que não ratifiquem a decisão da Justiça de executar o ex-ditador, condenado por crimes contra a humanidade. A FIDH também solicitou uma moratória sobre a pena de morte no Iraque. Em um comunicado, a federação expressou ‘‘mais uma vez mais sua oposição à pena de morte, em qualquer circunstância e em qualquer lugar’’.
  A organização, com sede em Paris, pede ‘‘ao chefe de Estado iraquiano que aplique uma moratória sobre a condenação à morte pronunciada contra Saddam Hussein e confirmada pela Corte de Apelações’’.
  Segundo a lei iraquiana, nenhuma autoridade, nem mesmo o chefe de Estado, pode usar o direito de indultar ou comutar as penas pronunciadas.

Mártir – Após ser comunicado do fracasso de sua apelação, Saddam declarou que ‘‘subirá ao patíbulo como um mártir’’ e pediu aos iraquianos que ‘‘permaneçam unidos frente a seus inimigos’’, em carta ao povo do Iraque transmitida ontem a agências de notícias e autenticada por seus advogados. ‘‘Me sacrifico. Se Deus assim desejar, ordenará que me coloque entre os mártires e os verdadeiros homens’’, afirma Saddam na carta, com data de ontem. ‘‘Os inimigos de vosso país, os invasores e os persas encontraram uma barreira na unidade entre vocês e os que os dirigem. É por isso que tentam semear o ódio entre vocês’’, acrescenta o texto, em referência ao Exército americano e ao Irã.

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