Em meio à crise, Paraguai convoca eleições para maio
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
AE-ANSA 
Reprodução/France PresseOviedo na Globo: pivô da criseO Poder Executivo paraguaio anunciou ontem a convocação oficial das eleições gerais para o dia 10 de maio de 1998, ao mesmo tempo em que se aprofunda a crise no governista Partido Colorado.
Os colorados realizaram suas eleições internas em 7 de setembro e, diante dos resultados, o tribunal eleitoral do partido nomeou como candidato à presidência da República o polêmico general da reserva Lino César Oviedo, de 54 anos, mas sua candidatura enfrenta graves problemas.
O candidato perdedor, Luis María Arga¤a, impugnou a proclamação de Oviedo e questionou a validade de mais de 50 mil votos, situação que deverá ser resolvida pela justiça eleitoral paraguaia.
Posteriormente, o presidente Juan Carlos Wasmosy decretou contra Oviedo um mandado de prisão de 30 dias por tentativa de golpe. Oviedo, citando sua qualidade de militar da reserva, negou-se a cumprir a ordem.
O conflito entre Wasmosy e Oviedo é um conflito entre gângsteres, segundo dois candidatos da opositora Aliança Democrática. Domingo Laino e Carlos Filizzola publicaram, em jornais locais, sua posição sobre a crise centrada na intensa busca ordenada por Wasmosy para capturar Oviedo - acusado também de ter difamado o caráter do presidente. Por isso, Wasmosy, como comandante das Forças Armadas paraguaias, ordenou a prisão disciplinar de Oviedo, que desde então mantém-se foragido.
Segundo Laino e Filizzola, o termo gângsteres foi usado pela primeira vez por Arga¤a, quando perdeu as prévias partidárias em setembro. Arga¤a beneficiou-se do conflito de 1996, quando Wasmosy colocou na reserva o general Oviedo acusando-o de tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, Arga¤a disse que não intervinha na crise por ser uma briga de gângsteres.
Oviedo declarou anteontem, em entrevista à Rede Globo de televisão, que continuava no Paraguai, na casa de amigos e protegido pelo Exército e polícia nacionais.


