Em Foz, fugitivo teve tratamento 5 estrelas
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O apartamento onde o ex-general Lino Oviedo foi preso em Foz do Iguaçu continua vazio depois de dois meses. Os donos do imóvel já receberam várias propostas para locação, mas por enquanto as visitas se limitam a pessoas curiosas em saber onde morou o fugitivo político mais procurado do Paraguai.
O apartamento 81 do Edifício Angelo de Nadai, alugado dia 19 de janeiro em nome de Alif Iamin, tem 190 metros quadrados, com três quartos, sala, copa, dois banheiros e uma dependência para empregada. As pessoas que auxiliaram Oviedo no Brasil dois homens com idade entre 60 e 70 anos, acompanhados de uma mulher paraguaia, também sexagenária, de nome Nancy levaram um televisor, videocassete, forno de microondas, cama de casal, ar condicionado e um aparelho de ginástica.
Segundo um dos irmãos proprietários, que pediu para não ser identificado, depois de assinar o contrato, Alif nunca mais apareceu no imóvel. Entre os homens que apareciam esporadicamente, o principal comentário que faziam do local era que a vista para Ciudad del Este estava perfeita.
A Folha visitou o local e encontrou as duas portas arrombadas pela polícia, uma pia para banheiro com gavetas e restos de velas coloridas (na época da prisão, foram encontrados um crucifixo apoiado sobre um pedestal e dezenas de folhetos religiosos escritos em espanhol).
No dia 11 junho deste ano, data em que o ex-general foi preso, investigadores da Polícia Federal encontraram ainda um revólver calibre 38, uma peruca feminina, uma pasta com recortes de jornal e uma agenda pessoal.
O homem que alugou o apartamento em Foz do Iguaçu comentou que conheceu Oviedo na época em que morava na fronteira. Ele disse que é a favor da volta do ex-general ao poder, mas não concordou com a acusação de que teria auxiliado as pessoas que o esconderam no Brasil.
Alif Iamin, 48 anos, solteiro, morou em Foz entre 1984 e 1989. Atualmente, vive em Goiânia (GO). Ele deixou claro que possui simpatia pelo ex-inquilino. Destacou a liderança que o general tem no país vizinho e disse que a vontade do povo será mostrado nas próximas eleições. Seu nome é forte entre os paraguaios. E isso vai aparecer nas urnas.


