Nos últimos 22 anos, o número de refugiados políticos e pessoas vítimas de deslocamentos forçados no mundo decuplicou, passando de 2,4 milhões em 1975 para 27 milhões em 1997, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Do total de refugiados existentes hoje, 200 mil estão na América Latina. Esses e outros dados serão analisados no Rio por representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na América do Sul.
No encontro, que será realizado no Hotel Everest, em Ipanema, será discutido o fortalecimento dos vínculos do órgão da ONU com organizações não-governamentais (ONGs) para melhorar o atendimento humanitário aos refugiados do continente. No encontro, com representantes de 12 ONGs e 50 delegados de vários países, será implantado o programa intitulado Associados em Ação, elaborado em 1994, em uma conferência em Oslo, na Suécia.
Durante os últimos 20 anos, o Brasil acolheu refugiados da Europa, da América Latina, da Ásia e, recentemente, da África. Atualmente, segundo a Acnur, o Brasil abriga 2.200 refugiados - a maioria de Angola. Segundo a ONU, o número de deslocados internos, refugiados dentro das fronteiras de seu próprio país, cresceu consideravelmente.
As Nações Unidas estimam que existam atualmente cerca de 30 milhões de pessoas deslocadas internamente ao redor do mundo. Destes, o Acnur atende 4,7 milhões. Os dados mais alarmantes, segundo a ONU, são encontrados no Peru, onde há 600 mil deslocados internos em consequência dos conflitos provocados pelo grupo Sendero Luminoso.
No Rio, 1.546 refugiados são atualmente atendidos pela Cáritas Arquidiocesana, dos quais 90,6% africanos de Angola (70,7%), Zaire e Libéria. Os outros 9,4% são cubanos, iugoslavos, iraquianos, palestinos e paquistaneses. Entre as atividades desenvolvidas pela Cáritas, estão a recepção do solicitante, ajuda financeira enquanto o refugiado não está documentado e por mais três meses (14% recebem essa ajuda), orientação para estudos, projetos autônomos, bolsas de estudos e encaminhamento para saúde, trabalho, documentação e cursos.
Reforma no CS da ONU A França mantém posição favorável à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e sua ampliação para outros países industrializados e alguns emergentes, sem definir apoio direto à candidatura do Brasil. Essa posição já havia sido anunciada pelo próprio presidente Jacques Chirac, durante sua visita aos países do Mercosul, em abril, segundo fonte diplomática autorizada em Paris. Nessa ocasião, Chirac havia admitido que o Brasil poderia ser um dos países emergentes a participar do Conselho de Segurança, diante de sua importância política e potencial econômico. Já o governo da Alemanha apóia ainda mais claramente a candidatura brasileira como revelou o ministro do Exterior do Brasil, Luiz Felipe Lampreia.

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