O ex-presidente paraguaio Raul Cubas Gráu não quis falar com a imprensa em Curitiba. Ele deixou recado na portaria dizendo que viajou e só retornaria em 10 dias. Há indícios de que ele está na cidade. Quando a Folha fez contato por volta das 14 horas para marcar uma eventual entrevista, uma empregada pediu o nome do repórter e qual era o assunto. Ela repassou as informações para uma segunda pessoa que estava perto do telefone. Depois, a empregada disse apenas que o ex-presidente não estava em casa e não sabia se retornaria ainda ontem.
Cubas pediu asilo político ao governo brasileiro após o assassinato do vice-presidente Luiz Maria Argaña. Ele sempre manteve estreitas relações com o Brasil. Suas viagens a São Paulo permitiram um ótimo domínio sobre o idioma português, sem sotaque. Ele, a mulher Myrtha e as duas filhas moram num luxuoso apartamento no bairro do Batel, em Curitiba, desde agosto do ano passado. O ilustre inquilino sempre foi bem-visto pelos vizinhos, apesar das acusações de tramar a morte de Argaña junto com general Lino Oviedo, que está foragido.
O ex-presidente persegue o sossego no Brasil. No mês passado, reconhecido por turistas paraguaios, Cubas foi agredido em Balneário Camboriú (SC), onde costuma passar as horas de folga com a família. Aos gritos de ‘‘asesino’’, os desafetos partiram para cima dele e de suas duas filhas que caminhavam à beira da praia.
Cubas tem se pautado pelo silêncio desde que deixou de ser o presidente paraguaio. Não fala com ninguém sobre os dissabores que enfrentou após determinar a soltura de Lino Oviedo. O general foi condenado a 10 anos de cadeia depois de tentar derrubar o então presidente Juan Carlos Wasmosy, em 1996. Cubas chegou ao poder com a promessa de libertar Oviedo. Cumpriu o que disse e enfrentou a fúria de parlamentares, da Justiça e a insatisfação dos próprios correligionários do Partido Colorado, entre eles, Luiz Maria Argaña, desafeto declarado de Lino Oviedo.
De acordo com o Itamaraty, convenções internacionais da década de 50 impedem que exilados façam declarações ou reuniões com finalidades políticas na América Latina. No momento em que chega ao pais que os acolheu, os exilados assinam um documento concordando com essas determinações.
O general rebelde, como Oviedo é conhecido, estava exilado na Patagônia, província do extremo sul da Argentina, mas desapareceu no ano passado. Desde a fuga, o militar tem concedido entrevistas à emissoras de rádio do seu país para garantir que está em solo paraguaio. Oviedo chegou a ser considerado uma grave ameaça à estabilidade dos países que formam o Mercosul.

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