Em caso de guerra, governo brasileiro será cauteloso
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de setembro de 2001
Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado<br> De Brasília 
Um conflito armado entre os Estados Unidos e o Afeganistão levará o Brasil a uma posição diplomática mais cautelosa. A solidariedade explícita ao governo americano, logo depois dos atentados terroristas, dará lugar a um apoio político mais comedido. Nesse cenário, o apoio militar estaria fora de cogitação.
O Brasil não quer correr o risco de tornar-se cúmplice de possíveis ataques militares a populações civis nem de ver o conflito transformado em uma briga entre a civilização ocidental e o Islã. Tampouco quer animosidade com os Estados Unidos.
Nos canais diplomáticos, o governo brasileiro reforça seu compromisso de combater o terrorismo e condena os seus atos. Trata-se de um princípio constitucional e de uma política externa que levou o Brasil a pedir a convocação dos países signatários do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), no último dia 21.
Mas, igualmente, o governo reitera a avaliação de que as células de terror estão conectadas em uma rede internacional e que nenhuma nação, em princípio, poderia ser responsabilizada pelos atentados.
A cautela do Brasil é alimentada pelos seus laços com o Oriente Médio e pelos interesses em seu mercado. O País abriga uma importante comunidade de origem árabe e pretende neutralizar qualquer tipo de animosidade interna. Além disso, o Oriente Médio tornou-se uma das regiões prioritárias na estratégia oficial de ampliar as exportações.
Se os Estados Unidos apresentarem provas de que o terrorista Osama bin Laden foi o responsável pelos atentados do dia 11 e de que o Afeganistão protege o terror, o governo brasileiro não poderá opor-se à retaliação.
Como o Brasil já pediu a convocação do Tiar e concordou em combater o terrorismo em seu território, uma declaração de apoio restrito, amenizada pela linguagem diplomática, seria nesse caso a melhor saída para o Itamaraty.


