São Paulo - O líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, escreveu uma carta para o presidente americano, George W. Bush, propondo ‘‘novas soluções’’ para questões mundiais, afirmou ontem o porta-voz de governo, Gholam Hossein Elham. O envio da carta acontece no mesmo dia em que os ministros das Relações Exteriores dos cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança – EUA, França, Reino Unido, China e Rússia, além da Alemanha – se reúnem em Nova York para discutir a questão iraniana.
  É a primeira vez em 27 anos que um líder iraniano envia uma carta a um presidente americano. Em 1979, os dois países cortaram relações diplomáticas depois que extremistas iranianos invadiram a Embaixada americana e mantiveram seus ocupantes reféns por mais de um ano.
  Segundo o Ministério iraniano das Relações Exteriores, a carta foi entregue ontem à Embaixada da Suíça em Teerã, que possui uma seção de interesses americanos. No documento, Ahmadinejad ‘‘analisa a situação no mundo e examina as causas de seus problemas’’, segundo o porta-voz. De acordo com Elham – que não citou diretamente a disputa em torno do programa nuclear iraniano – assim que Bush receber a carta, seu conteúdo será divulgado.
  No último domingo, Ahmadinejad reiterou que o Irã se retirará do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) caso o Conselho de Segurança da ONU decida impor sanções ao país devido ao seu programa nuclear. O líder do Irã disse ainda que as ameaças de sanções ‘‘não têm sentido’’.
  Elham disse ontem que o Irã já enfrentou sanções anteriormente. ‘‘Não estamos preocupados diante da eventual imposição de sanções da ONU’’, afirmou.
  Controvérsia – Os Estados Unidos apóiam as tentativas do Reino Unido e da França de obter a aprovação do Conselho de Segurança para uma resolução da ONU que ameaça a adoção de ‘‘novas medidas’’ caso o Irã se recuse a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. O procedimento é utilizado tanto para gerar energia elétrica como para a obtenção de materiais para armas nucleares.
  Os países ocidentais evocam o Capítulo 7 da Carta da ONU, que permitiria sanções econômicas ou ação militar, se necessárias, para forçar o Irã à atender às exigências do Conselho. No entanto, a Rússia e a China – que possuem poder de veto no CS – se opõem a tais medidas.
  O Irã alega que seu programa nuclear é pacífico, mas os Estados Unidos suspeitam que o país esteja desenvolvendo armas nucleares, acusação que é negada pelo governo iraniano.

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