São Paulo - Samir Kassir, um dos jornalistas libaneses mais ferrenhos críticos da Síria, foi morto ontem após a explosão de uma bomba que foi colocada em seu veículo, afirmou a polícia. O atentado ocorre em meio às eleições parlamentares, as primeiras realizadas após a saída do Exército sírio do Líbano.
O atentado aconteceu no bairro cristão de Ashrafieh, na capital Beirute, onde Kassir morava. Os policiais, que isolaram o local rapidamente, afirmaram que o artefato explosivo foi colocado sob o banco do motorista. Testemunhas afirmaram que a explosão aconteceu assim que Kassir entrou no veículo. O impacto foi tão forte que janelas das casas ao redor ficaram estilhaçadas. O jornalista escrevia uma coluna para o ''An Nahar'', um dos maiores jornais libaneses, que frequentemente fazia críticas ao governo do país.
Grupos da oposição culparam o governo sírio e seus ''aliados libaneses'', especialmente o presidente Émile Lahoud considerado o maior defensor da influência síria no Líbano pelo atentado.''Kassir foi assassinado pelos agentes sírios que ficaram no Líbano para controlar o país, comandados por Lahoud'', afirmou Walid Jumblatt, um dos líderes da oposição, durante entrevista a uma rede de TV libanesa.
O porta-voz do presidente Rafik Shlala descreveu o assassinato como ''um grave incidente''. Gibran Tueni, diretor do ''An Nahar'', afirmou que o assassinato do jornalista está ligado à morte do ex-premiê Rafik al Hariri, ocorrida em 14 de fevereiro em Beirute, após a explosão de uma bomba no momento em que seu comboio passava pelas ruas da capital.

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