Em alerta, França proíbe reuniões públicas
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sábado, 12 de novembro de 2005
Fábio Victor<br> Folhapress 
Paris - Uma onda de ameaças de ataques incendiários a Paris no final de semana levou a polícia a proibir reuniões públicas que possam resultar em desordens das 10h de hoje (horário local) até as 8h de amanhã na capital francesa.
Nos últimos dias, serviços de inteligência interceptaram seguidos e-mails, blogs e mensagens de texto de celular conclamando jovens a promover no fim de semana nos pontos turísticos mais visitados do mundo o mesmo tipo de distúrbios que, há 15 dias, assolam as periferias francesas.
A determinação se vale do estado de emergência decretado pelo governo na última terça-feira, que ampliou os poderes da polícia e permitiu que municípios adotem toque de recolher.
Embora os números da violência continuem a cair, as autoridades temem que o final de semana prolongado (hoje, 87º aniversário do armistício da Primeira Guerra, foi feriado na França) possa reacender os ânimos dos rebeldes, que dizem ser vítimas de racismo e discriminação social. Foi justamente na madrugada do último domingo que o conflito alcançou seu ponto mais agudo mas sem atingir, a não ser de forma discreta, a capital.
Também foi vetada pela polícia a venda de gasolina em recipientes. É esse o combustível que os rebeldes usam para fazer os seus coquetéis molotov. A mídia francesa especulava ontem à noite que a qualquer momento Paris pudesse adotar o toque de recolher, já em vigor em dezenas de cidades ao redor do país, mas ainda inédito na região metropolitana.
Além de polêmica, por ser imposta no país que é um dos berços da democracia moderna e das liberdades individuais, a medida extrema anunciada ontem é pouco clara. O conceito de ''reuniões públicas que possam provocar desordens'' é vago, levando à interpretação de que o arbítrio policial definirá que aglomerações poderão ser dispersadas.
A discussão sobre a supressão de direitos dos cidadãos criou um impasse na esquerda francesa. A princípio, todos os partidos de oposição criticaram o estado de emergência, mas pesquisas revelando apoio maciço da população à medida levaram siglas de peso, como o Partido Socialista, a se dividirem sobre a questão.
O clima de vigilância prometido para hoje com a proibição já começou a ser sentido ontem nas ruas de Paris. Por causa do feriado, jipes do Exército e militares armados com metralhadoras circulavam por pontos estratégicos, como o Arco do Triunfo, onde o presidente Jacques Chirac, o premiê Dominique de Villepin e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, participaram de cerimônia para lembrar a data histórica.
Termômetro da crise, o número de carros queimados na madrugada de sexta caiu para 463 (haviam sido 482 na quinta), voltando a subir ligeiramente na Grande Paris (111, contra 84 na véspera), onde a violência começou, mas vinha diminuindo havia três dias.


