Em 24 anos, 25 milhões morreram de Aids no planeta
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
Richard Ingham<br> France Presse 
Paris - Vinte e cinco milhões de pessoas morreram de Aids nos últimos 24 anos, mais de três milhões das quais só este ano, e pelo menos 40 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, um aumento de cerca de cinco milhões nos últimos 12 meses.
Faltando apenas um mês para a expiração do prazo, a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de fornecer medicamentos antivirais para três milhões de portadores do HIV pobres até o fim de 2005 fracassou.
Enquanto isso, o financiamento da guerra contra a Aids torna-se uma dor de cabeça. Recursos que poderiam ter sido destinados para a luta contra a doença são enviados para ajudar os sobreviventes de catástrofes naturais, como a tsunami no sudeste asiático, o furacão Katrina nos Estados Unidos.
Juntando tudo isto, não surpreende que o Dia Mundial de Combate à Aids tenha adotado um slogan sombrio ''Stop Aids. Keep the Promise'' (Detenha a Aids, mantenha a promessa) , voltado para governos e doadores, indiretamente lembrando a eles que os desastres naturais são trágicos, mas temporários, enquanto uma letal pandemia global ainda ameaça a vida de milhões de pessoas.
Apesar de tudo, mesmo que a pandemia de Aids continue a sobrepujar os esforços para combatê-la, há algumas notícias encorajadoras.
A introdução em larga escala de medicamentos anti-retrovirais na África subsaariana, que começou em 2003 sob a iniciativa ''Three by Five'' (Três em cinco) da OMS, segue a todo vapor, ajudando a transformar a Aids de sentença de morte em uma doença crônica, porém administrável.
De alguns milhares de pessoas, há alguns anos atrás, hoje mais de um milhão de pessoas de países com rendimento baixo e médio têm acesso ao precioso coquetel de medicamentos que mantém o HIV sob controle. ''Entre 250 mil e 350 mil mortes foram evitadas em 2005'', anunciou, orgulhosamente, a UNAids na semana passada em seu último relatório sobre a doença, acrescentando que os efeitos totais do ''dramático aumento'' da distribuição de medicamentos este ano só começarão a ser sentidos a partir de 2006.
Apesar do fracasso da iniciativa ''Three-by-Five'' de atingir suas metas principais, ela deveria ser ''elogiada por seus extraordinários sucessos políticos'', destacou o semanário médico britânico The Lancet.
Muitos dos temores que atrasaram a distribuição de medicamentos não aconteceram, pelo menos por enquanto. Os preços dos medicamentos da linha de frente continuam a cair, embora ainda exista uma interrogação sobre os preços dos antivirais de segunda e terceira linha, aos quais um paciente precisa recorrer caso os primeiros falhem.
E pesquisas de campo sugerem que, com senso comum e salvaguardas básicas, estes medicamentos podem ser usados com segurança nos países pobres, contrariando a previsão da indústria farmacêutica, segundo a qual sem uma infra-estrutura médica moderna para apoiá-los, estes medicamentos complexos fracassariam ou haveria abusos.
Outra boa notícia diz respeito à prevenção. Esforços para combater a infecção através da distribuição de preservativos e outros programas em prol da prática de sexo seguro ajudaram a reduzir a prevalência da doença no Quênia e no Zimbábue, enquanto o Caribe, a segunda região mais afetada do mundo, foi a única do planeta onde a incidência de HIV não aumentou este ano, em comparação com 2003.
Pesquisas em laboratório com microbicidas eficientes no combate ao vírus são uma promessa, embora leve alguns anos antes que resultem em um gel seguro e eficaz contra o HIV que possa ser usado nas relações sexuais.
O Fundo Mundial de Combate à Aids, Tuberculose e Malária lançou um apelo na semana passada para arrecadar 3,3 bilhões de dólares com vistas às necessidades de 7,1 bilhões de dólares em 2006 e 2007. E isto é apenas uma parte do necessário.


