Ansa
O separatista Exército de Libertação de Kosovo (ELK) continuou ontem com sua consolidação e conquista de território na província, ao mesmo tempo em que aumentaram as divisões que sempre caracterizaram a liderança albanesa kosovar.
Depois de fincar pé em Prizren, Pec, Djakovica e outras localidades menores, os milicianos do ELK desfilaram ontem pelas ruas de Srbica (norte de Kosovo) brandindo seus fuzis Kalashnikov.
O desfile foi observado com indiferença pelos legionários franceses, que acompanharam a demonstração impassíveis em seus veículos blindados ligeiros, estacionados nos cruzamentos da cidade.
Por outro lado, uma multidão alegre e festiva saiu às ruas para comemorar a libertação de Skenderaj, o nome albanês de Srbica. Entretanto, apesar do clima de ‘‘triunfo’’, a direção da etnia albanesa parecia fortemente dividida.
Hashim Thaqi, chefe do governo provisório de Kosovo, ex-líder do ELK e cabeça da linha dura da guerrilha no vale de Drenica, parece querer consolidar sua imagem de futuro chefe absoluto.
Por este motivo, na vila macedônia de Tetovo, ele fez ontem um chamado à população sérvia de Kosovo para que não fuja. ‘‘A sociedade albanesa necessita dos sérvios que podem dar uma importante contribuição para a estabilidade de Kosovo’’, disse.
O tom ‘‘ecumênico’’ do ex-chefe guerrilheiro, entretanto, não convenceu a Bujar Bukoshi, líder do ex-governo de Kosovo no exílio e que conta com um grande apoio ns fileiras do ELK.
‘‘Os milicianos do ELK se deixam levar por uma lógica partisan’’, assinalou Bukoshi ao criticar a nomeação por parte do ELK do ‘‘prefeito’’ de Prizren, decisão que considerou ‘‘apressada’’.
Bukoshi - um dirigente que parece continuar fazendo parte da órbita do moderado Ibrahim Rugova - afirmou que decisões como a citada ‘‘não serão permitidas no futuro’’, nem tampouco ‘‘a monopolização do poder por parte de Thaqi’’.
Esta situação confirma um paradoxo: com a chegada das forças de paz para Kosovo (KFOR), e enquanto se concluiu a guerrra, recrudesceram as eternas divisões entre a ala moderada e a ‘‘linha dura’’ da direção albano-kosovar.
Rugova, partidário da não violência e eleito duas vezes presidente de Kosovo, se mantém por enquanto alijado, negando-se a apoiar o governo dos milicianos de Thaqi, que antes do início da guerra gozava do apoio incondicional do líder
ultranacionalista Adem Demaqi, inimigo confesso de Rugova.
O ELK parece poder contar com o apoio da população do oeste de Kosovo, mas não com os potenciais eleitores albaneses do norte e leste da província, que são tradicionalmente moderados e estão a favor de Rugova.Líderes do separatista Exército de Libertação de Kosovo reiniciam disputa pelo poder na província sérvia liberada pelas forças da Otan
France PressePoder das armasMilicianos do ELK desfilaram ontem pelas ruas de Srbica brandindo seus fuzis Kalashniskov. A população comemorou ontem a libertação de Skjenderaj, o nome albanês da cidade

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