Associated Press
De Miami
Agentes federais tiraram à força, pouco antes do amanhecer de ontem, Elián González da casa de seu tio-avô de Miami. Eles lançaram gás lacrimogêneo para dispersar uma irada multidão enquanto levavam o menino cubano de seis anos em direção a um aeroporto. Mais de 20 agentes em vários furgões brancos chegaram à casa em Little Havana por volta das 5 horas (horário local), derrubaram uma cerca e arrombaram a porta da frente. Com roupas de camuflagem, os agentes entraram na casa e arrancaram o amedrontado garoto dos braços de um dos pescadores que o resgataram do mar em 25 de novembro último. Pouco depois, um homem e uma mulher saíram da residência com Elián e o colocaram em um dos furgões, que partiu em alta velocidade. Maria Elena Qesada, que estava na casa, disse que, ao ser pego, Elián gritava: ‘‘Socorro, socorro, não me levem’’, em espanhol.
Por volta das 6 da manhã, Elián já estava num avião do governo dos Estados Unidos que rumava para um aeroporto nas proximidades de Washington, de onde seria levado para se reunir com seu pai, Juan Miguel González. Juan Miguel, segundo uma autoridade, foi informado sobre a operação assim que se concluiu o resgate do menino. Elián não sofreu ferimentos e recebeu assistência psicológica de um médico do governo antes de entrar no avião, disse a autoridade, que pediu para não ser identificada. No avião estava a agente que saiu com Elián da casa, um psicólogo, um cirurgião de vôo e o agente de imigração que comandou a operação. Eles estavam explicando detalhadamente ao menino o que estava ocorrendo, afirmou a autoridade. Elián recebeu alguns brinquedos para se distrair.
Em Washington, uma autoridade do Departamento de Justiça, que também não quis se identificar, disse que o governo vinha torcendo pela reunião do menino com o pai e que havia feito o possível para que o caso fosse resolvido sem o uso da força. ‘‘Nós negociamos novamente durante toda esta noite em boa-fé para tentar alcançar uma solução cooperativa’’, disse a autoridade do departamento.
Kendall Coffey, um advogado dos familiares de Miami, afirmou que ‘‘estávamos no meio das negociações quando eles arrombaram a porta’’. ‘‘Estamos com raiva e enojados’’, disse. ‘‘Estávamos em comunicação com o mediador que tratava das negociações e discussões com o governo quando eles arrombaram a porta.’’
Foi uma rápida e violenta iniciativa na disputa internacional pela custódia do menino resgatado na costa da Flórida quase cinco meses atrás. Seus parentes de Miami tentavam manter a custódia temporária que receberam em novembro, enquanto o governo dos EUA buscava reuni-lo com o pai.
‘‘Assassinos’’, gritavam alguns dos cerca de 100 manifestantes
muitos dos quais tentaram impedir que os agentes saíssem com Elián. Os agentes, vestindo camisas do Serviço de Imigração e Naturalização dos EUA (INS), carregavam armas automáticas.
Com o paiPorta-voz do Departamento de Justiça informou, ainda na manhã de ontem, que ‘‘menino náufrago’’ cubano Elián González se reuniu com seu pai, Juan Miguel González, na base aérea de Andrews, perto de Washington, onde chegou num avião procedente de Miami.
A secretária de Justiça Janet Reno defendeu a decisão de retirar à força Elián González da casa de seu tio-avô em Miami. Segundo ela, o governo acreditava que os agentes federais iriam enfrentar resistência armada para pôr fim ao impasse.

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