''Elephant'' leva a Palma de Ouro
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>Especial para a Folha 
Cannes Em decisão surpreendente, o júri do 56º Festival de Cannes decidiu dar a Palma de Ouro ao americano ''Elephant'', um drama minimalista, seco e poderoso sobre a violência na América a partir de um massacre de jovens estudantes no campus de uma escola a inspiração foi a tragédia de Columbine, no Colorado, em 1999. O filme levou ainda o premio de melhor direção, atribuído a Gus Van Sant. O Grande Premio do Júri foi para ''Uzak'', da Turquia, dirigido por Nuri Bilge Ceylan. O ótimo filme turco, que toca fundo o tema universal da solidão urbana, ganhou ainda o prêmio para melhor ator, dado em conjunto aos dois interpretes principais, Muzaffer Ozdemir e Mehmet Emin Toprak - este em reconhecimento póstumo, já que o ator morreu em Ankara há cerca de dois meses, em acidente de carro. O Premio do Júri foi para o iraniano ''Panj É Asr'' (At 5 O'Clock in the Afternoon''), de Samira Makhmalbaf, que também recebeu o premio do OCIC, um juri católico paralelo.O canadense ''Les Invasions Barbares'', de Denys Arcand, ficou com os prêmios de melhor roteiro e melhor atriz (Marie-Josée Croze), esta uma outra surpresa, já que havia um certo lobby para a premiação de Nicole Kidman
Os grandes perdedores da noite foram ''Dogville'', do dinarmarquês Lars von Trier, até ontem tido como o mais cotado candidato à premiação, e o cinema francês, que não emplacou absolutamente nada apesar da presença em bloco cinco longas, todos assinados por diretores de peso na mostra competitiva. A Palma de Ouro de curta metragem foi para o australiano ''Cracker Bag''. Como era esperado, o longa-metragem brasileiro ''Carandiru'', de Hector Babenco, não ganhou nenhum premio. O curta ''A Janela Aberta'', do carioca Philipe Barcinski, embora muito superior ao concorrente da Austrália, não foi recompensado. Sobraram uma menção honrosa para o curta ''Castanho'', de Eduardo Valente, e ótimas críticas francesas para o longa ''Filme de Amor'', de Julio Bressane, ambos exibidos na mostra paralela ''Quinzena dos Realizadores''.
De novo Mônica Bellucci foi impecável na condução da cerimônia de encerramento, repetindo a atuação da abertura.


