A véspera do grande dia foi, para as lideranças chinesas, uma oportunidade para exercitar as artes da guerra de informação. Tung Chee-hwa, que na madrugada de terça-feira assume o comando de Hong Kong, pela primeira vez confirmou oficialmente a convocação de eleições para maio de 1998. O prazo de um ano era considerado oficial mas ninguém havia confirmado.
Numa cerimônia em Pequim, ontem, o presidente chinês Jiang Zemin prometeu ontem respeitar os direitos humanos e a liberdade na sua nova região administrativa especial. Enquanto isso, a capital chinesa foi enfeitada com faixas onde se lê ‘‘Superando 100 anos de vergonha’’. Tung advertiu os líderes democráticos de que não gostaria de ver manifestações na posse do corpo legislativo provisório amanhã.
Entre a retórica pró-democrática de ingleses e norte-americanos e a possibilidade de manifestações que abalem o clima de festa desejado pelos chineses, Tung e Zemin adotaram um discurso liberal que parece confirmar a velha tática de dar um passo atrás para poder, depois, dar dois adiante.

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