As eleições legislativas do próximo dia 3 de novembro podem se transformar em um referendo sobre o futuro do presidente Bill Clinton, mas as perspectivas dessa votação são tão incertas que nem os democratas nem os republicanos conseguem antecipar o que pode acontecer.
Os republicanos controlam atualmente, com escassa maioria, as duas câmaras do Congresso.
O aumento dessa maioria reforçaria a ala mais conservadora do Partido Republicano, que impulsiona um processo de impeachment contra o presidente democrata devido ao escândalo Monica Lewinsky.
Reciprocamente, uma vitória dos democratas poria fim ao debate sobre o impeachment, embora a hipótese de uma ‘‘repreensão’’ continue vigente.
Mas são poucos os que desejam converter a eleição em um referendo.
‘‘Pode ser perigoso para os dois lados’’, estima Henry Hyde, presidente da comissão de assuntos judiciais da Câmara de Representantes, encarregada atualmente de recomendar ou não o impeachment de Clinton.
Um referendo ‘‘pode ser perigoso para os republicanos se os eleitores acham que foram injustos com o presidente, e para os democratas se o eleitorado quer expressar seu descontentamento’’ para com Clinton no caso Lewinsky, segundo Hyde.
Atualmente ‘‘é muito difícil saber quem se beneficiarᒒ, diz Hyde.
E as pesquisas são difíceis de interpretar.
Mais de dois americanos em cada três entendem que o presidente deve continuar no cargo. Mas uma maioria também estima que deve ser ‘‘repreendido’’.
Por outro lado, os republicanos gozariam de nove pontos de vantagem entre 35% do eleitorado que provavelmente vote nas eleições de 3 de novembro.
Os republicanos não teriam então muito para ganhar com uma campanha antiClinton destinada a consolidar seus partidários mais consequentes, e correr o risco de ferir assim a sensibilidade dos eleitores moderados.
Por outro lado, historicamente o partido que controla a Casa Branca, hoje democrata, perde sistematicamente cadeiras nas eleições de metade do mandato.
Para Gary Nordlinger, consultor político democrata, as eleições legislativas podem se converter num referendo sobre Clinton se os republicanos o tentarem. Mas com isso arriscam a um rechaço do eleitorado que parece querer virar a página sobre os devaneios sexuais do presidente.
Clinton, por sua vez, deve tentar não se mostrar muito agressivo em seus ataques contra os republicanos no momento em que joga a carta da contrição, segundo Nordlinger.
Para Ron Faucheux, consultor político republicano, seus colegas indubitavelmente não se beneficiarão nas eleições de um ‘‘efeito Clinton’’ posto que a opinião pública parece apoiar o presidente.
Os democratas podem melhorar suas possibilidades em novembro acusando os republicanos de serem injustos com o presidente, mas os candidatos democratas mais ameaçados em sua reeleição não parecem querer se arriscar tomando partido de Clinton, preferindo adotar uma posição cautelosa, o que parece o mais adequado no clima de incerteza que cerca o pleito.

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