Eleições nos municípios definem um novo quadro
As eleições municipais foram um verdadeiro divisor de águas na vida política nacional, e os resultados surgidos em 3 de outubro e 15 de novembro redefiniram o mapa partidário brasileiro. A coligação que apóia o presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu nas principais capitais, mas nos municípios do interior obteve bons resultados. E as vitórias de alguns aliados acabaram por fazer surgir novas lideranças capazes até de frustrar o maior sonho do presidente, que é o de disputar a reeleição.
O quadro que saiu das eleições municipais está longe de ser negativo para o presidente Fernando Henrique Cardoso. O partido do presidente, o PSDB, elegeu 914 prefeitos, embora tenha perdido em alguns grandes municípios. Quem mais ganhou, inclusive em número de votos, foi o PPB, hoje sob a incontestável liderança de Paulo Maluf, que obteve 7,139 milhões de votos em todo o País. Naturalmente, para este resultado contribuiu, e muito, a vitória em São Paulo, maior colégio eleitoral brasileiro. Ainda assim, o total é importante sob o prisma de uma futura eleição presidencial, pois o contingente de votos de São Paulo pesa muito. O PPB obteve, também, excelente desempenho nos 100 maiores municípios do País, além das capitais, que representam 1 terço do eleitorado brasileiro, dobrando o seu total em relação ao pleito passado: foi de 7 para 14 prefeitos eleitos.
O PFL, outro aliado do presidente, ficou em segundo lugar na soma dos votos obtidos: 6,774 milhões, seguido do PMDB. O PSDB ficou em quarto lugar. Somando tudo, o Governo teve maioria esmagadora. Mas estes resultados estimulam políticos que podem facilmente ir para a oposição ao presidente, como o ex-prefeito Paulo Maluf. Ele já saiu das eleições municipais anunciando que é contra a reeleição dos chefes de Executivo, posição que antes o PPB apoiava.
O novo tabuleiro político que surge das eleições municipais vai se definir melhor a partir de janeiro. O Governo federal continua a jogar todas as fichas na aprovação da emenda que possibilite a candidatura de Fernando Henrique Cardoso para mais um mandato. Os interesses de outros postulantes à presidência podem pesar na balança, complicando os planos presidenciais. O PT, embora tenha perdido muito espaço nos principais municípios brasileiros, conseguiu dobrar seu número de prefeitos, e já lançou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para 98.
No Paraná O governador Jaime Lerner conseguiu expressivo resultado com os candidatos de seu partido, ganhando no primeiro turno em 111 municípios, o que representa 28% do total. Em coligação com outros partidos, o governador saiu vencedor em mais de 60% dos municípios paranaenses. Muito expressiva foi a vitória de seu candidato em Curitiba, Cássio Taniguchi, que se elegeu com tranquilidade no primeiro turno. O desafio maior ficou por conta de Londrina, onde o candidato Antônio Belinati ficou a 1,2% dos votos necessários para vencer no primeiro turno. Belinati e Luiz Carlos Haully, do PSDB, foram para o segundo turno e a vitória do candidato do PDT por 11 mil votos de diferença tranquilizou e fortaleceu o governador, que saiu como grande vencedor do pleito no Estado.
A morte de PC Farias Em junho, o maior choque político do ano: Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor e principal responsável pelo esquema de corrupção que levou à queda de seu chefe, foi assassinado. O crime foi atribuído à namorada de PC, Susana Marcolino da Silva, que teria se matado em seguida. Pouca gente acredita nisto, inclusive em Alagoas, onde ocorreu o crime, mas foi isto que prevaleceu no final das investigações. A morte de PC não encerrou as questões relativas ao período Collor mas, sem dúvida, eliminou a possibilidade de esclarecimentos mais completos sobre a política e a corrupção nos dois anos de
mandato de Fernando Collor, que não foi ao enterro.





