Eleições não empolgam
Washington - O novo presidente dos Estados Unidos será escolhido por pouco mais de a metade dos eleitores americanos. Quarenta e cinco por cento dos 200 milhões de eleitores não devem votar, maior parte jovens entre 18 e 24 anos.
De acordo com o profesor de mídia e assuntos públicos da Universidade de George Washington, Mark Feldstein, há uma ''apatia'' entre os eleitores. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório como no Brasil. ''Uns não votam por ignorância, outros porque não vêem muitas diferenças entre as propostas republicanas e democratas.''
Nas eleições de 2000, 100 milhões de eleitores, o equivalente a 53% dos aptos a votar, compareceram às urnas. A previsão é de que 55% depositem seus votos este ano. Além do presidente, os americanos elegem em novembro deputados, um terco de senadores, governadores, prefeitos e vereadores.
Brad Minnick, diretor executivo do Conselho Americano de Jovens Líderes Políticos, entidade que busca novas lideranças, acha que os candidatos também são responsáveis pela ausência. ''Nossos partidos não encontraram uma forma para envolver os jovens.'' Outro motivo da apatia, no seu entendimento, tem relação com a qualidade das lições cívicas na escola. ''As matérias, como História Americana, não são mais repassadas como no passado. E isso tem repercutido de forma significativa.''
Minnick acredita que o desenvolvimento da tecnologia trouxe impactos positivos e negativos ao processo eleitoral. ''Antes havia três canais de televisão. Agora são vários, muitos de entretenimento, que monopolizam a atenção dos jovens. O lado positivo e que ampliou-se a cobertura, com mais notícias políticas. Quem está de olho na política, pode se informar mais.''
Ele acredita que, apesar de longe das urnas, o povo americano continua unido. ''Não há contradição em 50% dos eleitores não votarem. Se por exemplo houvesse um ataque terrorista no dia da eleição, não acho que o terrorismo afastaria americanos das urnas, pelo contrário os aproximaria mais. Temos uma tradição tão democrática, que não precisamos de voto obrigatório. Não passamos por situações de cerceamento de direitos políticos. As pessoas podem se dar ao luxo de serem apáticas.'' (L.D.)





