Eleições na Venezuela sob o impacto de doença de Chávez
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
<br> France Presse 
Os venezuelados votavam ontem em eleições regionais nas quais o governo buscava uma ampla vitória e a oposição tentava confirmar a liderança de Henrique Capriles, em um clima de incerteza pelo delicado estado de saúde do presidente Hugo Chávez, internado em Cuba após a quarta operação contra um câncer.
Os locais de votação abriram as portas às 6 horas (8h30 de Brasília) e deveriam fechar às 18 horas (20h30 de Brasília). Mas o Conselho Nacional Eleitoral Electoral (CNE) iria permitir a continuidade da votação nas áreas com filas no momento do encerramento.
A oposição tenta conservar as vitórias obtidas em 2008, quando a participação alcançou 66%, e seu líder Capriles luta pela reeleição em Miranda contra o ex-vice-presidente Elías Jaua, - uma das figuras fortes do governo -, depois de perder a eleição presidencial para Chávez.
Capriles votou no bairro de Las Mercedes, em Caracas, pedindo aos partidários da oposição que compareçam às urnas: ''deixar de votar pode custar muito caro''.
Elías Jaua disse que a mobilização da ''máquina bolivariana foi perfeita'' e pediu ''muita atenção nas próximas horas'', após votar no bairro de Petare, também em Caracas.
As eleições são marcadas pelo delicado estado de saúde de Chávez, que segundo o boletim divulgado no sábado à noite pelo governo se recupera de forma ''progressiva'' em Cuba da quarta operação em 17 meses contra um câncer.
Na votação regional, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) buscava reconquistar os redutos da oposição, especialmente o petroleiro Zulia (noroeste) e Miranda (que envolve parte de Caracas), os mais ricos e populosos do país.
O chavismo controla atualmente 15 estados, a oposição sete e um, Monagas (sudeste), é independente.
Chávez, 58 anos, foi operado na terça-feira passada em um hospital de Havana, pela quarta vez, de um câncer cuja localização jamais foi revelada, e enfrenta um pós-operatório que o governo define como ''complexo''.
Reeleito no mês de outubro para mais um mandato, Chávez deveria assumir a presidência no próximo dia 10 de janeiro.
Antes de partir para Havana, Chávez designou o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, seu herdeiro político para o caso de permanecer ''inabilitado'', uma decisão inédita que aumentou os temores sobre a gravidade de seu estado de saúde, pois em nenhuma das ausências anteriores ele insinuara a possibilidade de um sucessor.
Ontem à tarde, o ministro Jorge Arreaza informou que Hugo Chávez, tinha retomado suas atividades de governo a partir de Havana. ''Desde a sexta-feira, o 'comandante' já se comunica conosco para instruir, governar, dar instruções para que sejam cumpridas lá em nosso país'', disse Arreaza, ministro da Ciência e Tecnologia e casado com a filha mais velha de Chávez.


