As eleições municipais realizadas sexta-feira no Irã representam um passo no caminho para a abertura, manchado contudo por uma certa confusão e fortes tensões, assinalaram ontem os observadores e a maioria dos jornais iranianos.
Embora não tenham sido divulgados números oficiais, a imprensa destacou a grande afluência às urnas, principalmente dos jovens, que constituem a maioria da população e os partidários mais fervorosos da mudança.
O jornal Iran News, ligado ao governo reformador do presidente Mohammad Katami, qualificou estas eleições, as primeiras deste tipo desde a revolução de 1979, como ‘‘a maior experiência de democratização e de descentralização já realizada no Irã islâmico’’.
Para o Tehran Times, ligado aos conservadores, a ‘‘participação maciça reflete uma enorme confiança no sistema’’.
O jornal moderado Hamshahri, dirigido pela prefeitura de Teerã, fez uma comparação com a eleição de Katami, em 23 de maio de 1997, ao afirmar que ‘‘a vasta participação popular criou uma nova epopéia eleitoral’’.
A maior parte dos jornais lembra que a realização destas eleições constitui uma das principais promessas do atual presidente.
O presidente, em conflito com os conservadores, que dominam a maioria das instituições religiosas e políticas do regime, apelou diretamente à mobilização dos jovens.
‘‘Que o povo faça seu próprio destino é um dos ideais mais elevados da revolução’’, declarou.
A eleição, cujos resultados completos serão divulgados dentro de alguns dias, é considerada como um importante teste para as legislativas da primavera do ano 2000, quando os reformadores pretendem tomar dos conservadores a direção do Parlamento.France PresseFim de festaTrabalhadores iranianos tiram a propaganda eleitoral das paredes, um dia após as eleições no IrãFrance Presse

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