Sonia Gandhi
conseguiu frear
queda eleitoral
da ‘‘dinastia’’O gigantesco exercício eleitoral das legislativas indianas entra hoje em sua terceira e penúltima fase, e na próxima terça-feira começa a contagem dos votos. As pesquisas não definiram as cores do próximo governo, o quinto em menos de dois anos da democracia mais povoada do mundo.
Cerca de 150 milhões de eleitores, dos 600 milhões com idade para votar, devem ir às urnas hoje em dez Estados para eleger 130 dos 545 deputados do Lok Sabha (Assembléia do Povo). A alta abstenção de 45% e a violência que deixou 60 mortos marcou as eleições dos dias 16 e 22 de fevereiro em outros Estados.
Em 7 de março será realizada a última jornada eleitoral em algumas circunscrições - quando serão eleitos 530 deputados -, e os primeiros resultados sairão na noite de segunda-feira.
Quatro meses depois da queda do Governo de coalizão de centro-esquerda, a Índia, que realiza eleições pela segunda vez desde 1996, saberá finalmente se tem uma maioria estável, ou se será necessária nova coalizão, como apontam as pesquisas.
Ao fim da campanha eleitoral, na quinta-feira, as principais forças políticas do país se declararam confiantes na vitória.
Os nacionalistas hindus do BJP (Partido do Povo Indiano), que prometem estabilidade, podem vencer, mas sem maioria absoluta, seguidos pelo Partido do Congresso, da ‘dinastia’ Nehru-Gandhi, e pela Frente Unida, do Primeiro-Ministro Inder Kumar Gujral.
Se conseguir a maioria absoluta (273 cadeiras), é provável que o BJP encontre aliados suficientes para governar. Com um Governo dirigido por Atal Behari Vajpayee, de 71 anos, promete uma ‘‘nação forte’’, dotada de armas nucleares e a continuação da abertura econômica, mas protegendo as empresas indianas.
Mas se não conseguir essa maioria, como apontam as pesquisas, o Congresso seria o melhor colocado para governar em coalizão.
Este resultado se deve, sobretudo, a Sonia Gandhi, de 51 anos, viúva do ex-Primeiro-Ministro assassinado Rajiv Gandhi, que embora não sendo candidata, conseguiu frear em 47 dias e cerca de 140 comícios, a queda brusca do Congresso, formação que marcou a história do país durante quarenta anos.
O Congresso apoiou a Frente Unida desde 1996, antes de retirar-se em novembro, precipitando sua queda. Entre os 13 partidos desta coalizão deveriam estar os aliados para governar e, como prometido, acelerar a abertura econômica do país.
O Congresso ainda não divulgou seu candidato ao posto de Primeiro-Ministro, deixando a porta aberta a Sonia Gandhi, que negou-se a revelar quais são suas intenções pessoais.
A Frente Unida, cujos partidos oferecem programas diferentes, tem esperanças de poder formar uma coalizão com o apoio do Congresso, mas estas esperanças são limitadas.
A jornada eleitoral de hoje estará marcada por fortes medidas de segurança, sobretudo em Coimbatore (Sul), onde vários atentados com bomba deixaram 58 mortos na véspera do primeiro dia das eleições.
Três bombas explodiram ontem em Bombaim, capital econômica da Índia, matando quatro pessoas e ferindo outras 14, um dia antes da fase final das eleições gerais. Segundo autoridades indianas, que prometeram descobrir os responsáveis pelas explosões, as bombas podem ter sido plantadas para sabotar a votação de hoje.

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