São Paulo - Insurgentes iraquianos bombardearam um colégio eleitoral e atiraram granadas ontem, matando 38 pessoas em ataques para intimidar eleitores durante as eleições parlamentares no Iraque. A votação pode definir o fim de divisões sectárias que assolam o Iraque desde a invasão dos Estados Unidos ao país, em 2003.
Há mais de cem feridos. Foram 20 atentados apenas na capital, Bagdá. As eleições parlamentares do Iraque foram encerradas ontem, às 17 horas do horário local, por volta das 11 horas em Brasília.
Apesar do forte esquema de segurança, insurgentes ainda conseguiram desencadear uma série de ataques com bombas, foguetes e morteiros para amedrontar eleitores.
O primeiro-ministro Nouri al-Maliki está lutando por seu futuro político, com os desafios de uma coalizão de maioria xiita de grupos religiosos de um lado e, no outro, uma aliança secular combinando xiitas e sunitas. Ele votou logo após a abertura dos centros eleitorais e se mostrou confiante de que os atentados não afetariam a votação. Cerca de 19 milhões de iraquianos eram esperados para eleger quem vai conduzir o país durante a retirada norte-americana.
Num dos ataques mais violentos, ao menos 14 pessoas morreram no nordeste de Bagdá em uma explosão seguida do desabamento de um edifício. Ataques de morteiros no oeste da capital mataram sete pessoas em dois diferentes bairros, segundo a polícia e funcionários de hospitais.
No bairro Hurriyah, três pessoas foram mortas quando uma granada foi lançada em direção a uma multidão. Na cidade de Mahmoudiya, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Bagdá, uma bomba dentro de um centro de votação matou um policial, disse o coronel do Exército iraquiano Abdul Hussein.
Projéteis caíram em diferentes pontos de Bagdá, inclusive na chamada 'zona verde'', área especialmente fortificada e onde se localizam várias embaixadas e sedes de ministérios. No entanto, não há informações de vítimas nessa área.
Fora de Bagdá, na província de Diyala, dois homens armados morreram na explosão de uma bomba que tentavam colocar em uma estrada, na região de Jabara, situada a 115 quilômetros ao norte de Baquba, capital de Diyala.
Além disso, vários ataques em diversas cidades dos arredores de Baquba contra centros eleitorais deixaram pelo menos um ferido. Em Faluja, a 50 quilômetros a oeste da capital, dois artefatos explosivos deixaram quatro pessoas feridas.
Processo eleitoral
O pleito -que contou com 50 mil urnas divididas em 9.000 colégios eleitorais- está sendo visto como um teste crucial para o processo de reconciliação nacional do Iraque diante do plano dos EUA para retirar suas tropas do país em etapas até 2011.
Cerca de 6.000 candidatos concorrem a 325 cadeiras no Parlamento, que se encarregará de escolher a nova coalizão governante e também o presidente e os dois vice-presidentes do país. O Iraque possui cerca de 18,9 milhões de eleitores registrados.

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