Um príncipe, um filho de camponeses e um banqueiro disputam amanhã o cargo de primeiro-ministro na eleição geral do Camboja, a primeira desde a que foi organizada pela ONU depois da guerra civil, do genocídio e da ocupação vietnamita.
O príncipe Norodom Ranariddh, o primeiro-ministro atual, Hun Sen, e Sam Rainsy, são os candidatos.
Hun Sen e Norodom Ranaridh foram respectivamente o ‘‘segundo’’ e o ‘‘primeiro’’ ministro, dividindo o poder numa fórmula oriunda das eleições patrocinadas
pela ONU em 1993. Esta coabitação teve um final sangrento em julho de 1997, quando Hun Sen tomou o poder num fim de semana de combates nas ruas da capital.
Hun Sen nasceu em abril de 1951. Filho de camponeses, fez seu nome na resistência comunista (os ‘‘kherms vermelhos’’) contra o regime pró-norte-americano de Lon Nol (1970-75). Em 1977, por medo do regime de Pol Pot, apóia o Vietnã. Depois da invasão vietnamita que expulsa os khmers vermelhos de Pnom Penh, em janeiro de 1979, é nomeado ministro de Relações Exteriores do governo instalado por Hanói. Em 1985, aos 34 anos, este autodidata é designado primeiro-ministro.
A imagem do príncipe Norodom Ranariddh, amável e dinâmico, contrasta com a de Hun Sen, autoritário e distante.
A vida política do príncipe Ranariddh, de 54 anos, começa em 1983, quando seu pai, o rei Sihanuk, radicado na China, pede que ele reorganize o Exército Nacional Sihanukista (ENS) e o partido monárquico Funcinpec.
Abandona sua carreira universitária na França, onde vivia há dez anos com sua esposa Marie e seus filhos. Este doutor em Direito Público da Faculdade de Aix, em Provença (sul da França), tem seu aprendizado político-militar na guerrilha da resistência antivietnamita, junto aos khmers vermelhos, entre outras organizações.
Em 1991 são firmados os acordos de paz de Paris. No mesmo ano, o príncipe substitui seu pai na direção do Funcinpec, levando os monárquicos ao poder nas eleições organizadas pela ONU em 1993.
Atualmente o príncipe Ranariddh, beneficiado pela popularidade do rei Sihanuk, está convencido de que as urnas farão sua vingança a Hun Sen.
Sam Rainsy, ex-ministro de Finanças (1993-94), compensa com suas convicções e um grande trabalho nas ruas sua pouca experiência política. Dedicou os últimos meses a uma campanha eleitoral maratônica, percorrendo todo o reino, sendo ajudado por sua esposa, Saumura, tão militante quanto ele.

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