Eleições definem o futuro de Clinton
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sábado, 31 de outubro de 1998
Marcelo Diego Agência Folha 
As eleições gerais nos Estados Unidos, que acontecem na próxima terça-feira, podem se converter em um plebiscito sobre o futuro político do presidente Bill Clinton. Os cerca de 182 milhões de norte-americanos aptos a votar irão escolher todos os 435 novos representantes (deputados) da Câmara, 34 senadores (de um total de 100) e 36 novos governadores (de 50). São os representantes e os senadores que decidirão sobre a manutenção de Clinton no cargo ou, no mínimo, sobre a governabilidade nos seus dois últimos anos de mandato. Um dia depois da eleição começam as audiências públicas no processo de impeachment movido contra Clinton. O presidente teve, segundo suas próprias palavras, uma relação não apropriada com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. Segundo inquérito preparado pelo promotor independente Kenneth Starr, Clinton cometeu 15 crimes ao tentar esconder o fato. Entre as acusações imputadas a ele estão falso testemunho, constrangimento ilegal de testemunhas e obstrução da Justiça.
A Comissão de Justiça da Câmara, a partir de quarta-feira, começa a ouvir os depoimentos de diversas pessoas envolvidas no caso. Ao final das audiências, a Comissão vota o pedido de impeachment que então é submetido ao plenário da Câmara. A decisão é encaminhada ao Senado. O presidente só é afastado se dois terços dos senadores votarem a favor do impeachment. Hoje, a Câmara é dominada pelos republicanos, com 227 cadeiras. Os democratas têm 206. Há uma cadeira vaga e outra ocupada por um político independente.
Nos EUA, o voto é distrital e não-obrigatório. Pelo quadro das eleições passadas, em pleitos não-presidenciais, o perfil típico de quem se dispõe a votar é o de um homem idoso, conservador e de cor branca. Essa é também a descrição do eleitor republicano médio. A saturação pública do caso Lewinsky, porém, pode levar os democratas a participar mais ativamente das eleições. Exatamente com medo dessa reação é que os republicanos praticamente não citaram o escândalo na campanha. As primeiras propagandas alusivas ao caso foram ao ar apenas na última semana.
Segundo pesquisa do jornal USA Today, que será publicada hoje, a composição da Câmara e do Senado deve ficar estável. Essa é uma boa notícia para os democratas. Os republicanos esperavam aumentar em dez cadeiras sua bancada na Câmara. Desejavam também eleger três senadores a mais. Se o processo de impeachment chegar ao Senado, os republicanos vão precisar de 67 votos para aprová-lo. Hoje, têm 55.
Para os consultores políticos Norman Adler e Joseph Mercurio, que trabalharam nas campanhas democrata e republicana, respectivamente, o voto da próxima terça-feira será plebiscitário. Ambos concordam que o eleitor estará escolhendo seu representante de acordo com o julgamento feito sobre o presidente Clinton. O voto vai mostrar se ele deplora a conduta moral do presidente ou se deplora as críticas que têm sido feitas a Clinton, disse o marqueteiro republicano. Os dois participaram de um debate com a imprensa sexta-feira, em Nova York. Mercurio defendeu a ofensiva republicana, que colocou na TV, na última semana, uma série de comerciais políticos explorando o caso Lewinsky. O melhor conselho político que você pode dar é para que o candidato fale a mesma língua que seus eleitores. O que mais os norte-americanos estão falando, a não ser em Clinton e Monica?, argumentou.


