Depois de destituir Alberto Fujimori da presidência da república e transformar Vladimiro Montesinos – agora comprovadamente a ‘‘eminência parda’’ do regime fujimorista – em foragido da Justiça por corrupção e outros delitos vinculados ao narcotráfico, o Peru vai às urnas hoje para eleger um novo presidente e 120 congressistas. A confusão política que dominou o país no ano passado levou o líder da resistência ao regime de Fujimori e Montesinos, Alejandro Toledo, à posição de favorito na corrida presidencial.
As pesquisas de intenção de voto, porém, indicam que Toledo – um ex-engraxate de origem indígena que se formou em Harvard e trabalhou como assessor de importantes instituições internacionais como o Banco Mundial e a ONU – não reunirá votos suficientes para vencer no primeiro turno. A dúvida diz respeito exatamente sobre quem disputará a presidência em segunda votação com ele: a direitista Lourdes Flores ou o ex-presidente do país Alan García Pérez. Uma diferença mínima separa os dois, segundo as últimas pesquisas.
As pesquisas de vários institutos mostram Toledo na liderança com uma variação de 33,5% a 38,5% das intenções de voto. Lourdes e García estão tecnicamente empatados no segundo lugar, com 18% a 23% das intenções.
Para a eleição legislativa, os institutos prognosticam um Congresso muito dividido. Diferentemente das eleições anteriores, quando todos os peruanos votavam em candidatos de uma lista única, a votação legislativa deste domingo será multidistrital – cada distrito elegerá o número de representantes que lhe corresponde. Lima elegerá o maior número de congressistas: 35.
Segundo o Instituto Apoyo, o partido de Toledo, Peru Possível, deve obter a maior bancada, com aproximadamente 40 das 120 cadeiras. O Partido Aprista Peruano (sucessor da tradicional Apra), de García, deve conquistar 24 cadeiras e a Unidade Nacional (UN, de centro-direita, de Lourdes) deve eleger cerca de 20 congressistas.
Há pelo menos 20% de indecisos para a eleição presidencial. Entre os aproximadamente 25 milhões de habitantes do país, 15 milhões estão credenciados para votar. Será uma configuração muito diferente das dos últimos anos, quando a bancada fujimorista sempre saía das eleições com mais de 60 congressistas e, portanto, com maioria absoluta no Legislativo.

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