Eleições - Menem e Kirchner devem disputar 2º turno
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domingo, 27 de abril de 2003
France Presse 
Buenos Aires - Os peronistas Carlos Menem e Néstor Kirchner, disputarão o segundo turno eleitoral na Argentina no dia 18 de maio, depois de realizado ontem o primeiro turno das eleições presidenciais, informaram as redes de TV com base em pesquisas de boca-de-urna.
O ex-presidente Menem obteve 29,3% dos votos, seguido por Kirchner, o candidato do presidente Eduardo Duhalde, com 20,5% dos votos, segundo a rede de TV a cabo Cronica TV.
O Canal América concede a Menem 25% e a Kirchner, 22%. Em terceiro lugar, ficando portanto fora do segundo turno, está o direitista Ricardo López Murphy com 17,8%.
Menem e Kirchner se dizem representantes fiéis do peronismo, mas o primeiro aplicou uma política liberal nos dez anos que esteve à frente do governo do país (1989-1999), enquanto que o segundo pertence à ala esquerda do partido.
A Junta Eleitoral não divulgou, ontem à noite, o resultado de nenhuma das 66.747 urnas nas quais votaram aproximadamente 80% dos 25,5 milhões de eleitores. Mas Menem era o mais votado, segundo as pesquisas, seguido por Kirchner, governador de Santa Cruz.
Atrás deles se posicionavam o conservador Ricardo López Murphy, a social-cristã Elisa Carrió e o peronista populista Adolfo Rodríguez Saá, nesta ordem. Antes do encerramento oficial da votação, às 18 horas locais, os representantes dos candidatos excluídos do segundo turno denunciaram ''irregularidades'', relacionadas à divulgação das pesquisas de boca-de-urna antes de encerradas as eleições.
Os coordenadores das campanhas de Lopez Murphy, Carlos Balter, Elisa Carrio e Adolfo Rodriguez Saa, que ficaram de fora do segundo turno, insistem no argumento.
Menem, de 72 anos, propõe acentuar o sistema de livre circulação de capital, através de uma economia de livre mercado e de estreitas relações com os Estados Unidos na Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Kirchner, de 53, ao contrário, encarna um projeto neo-keynesiano (forte papel do Estado), com impulso à indústria, ao comércio e ao mercado interno.
A participação eleitoral foi considerada alta, apesar da falta de fé nos candidatos, expressa pelos cidadãos nas pesquisas. A Argentina está emergindo da pior crise de sua história, a partir do final de 2001, que chegou a derrubar o presidente radical conservador Fernando de la Rúa.


