Berlim -Os partidos nanicos, inclusive da extrema-direita, tiveram um forte desempenho nas eleições regionais da Saxônia e Brandeburgo, dois estados da antiga Alemanha comunista, enquanto o Partido Social-democrata (PSD), do chanceler alemão Gerhard Schroeder, sofreu uma inquestionável desaprovação dos eleitores, insatisfeitos com as reformas econômicas do governo, revelaram pesquisas de boca-de-urna das TVs públicas ZDF e ARD.
Em Brandeburgo, estado rural nos arredores de Berlim, na antiga Alemanha Oriental, o PSD obteve entre 31,6% e 32,2% dos votos, uma queda de cerca de seis pontos percentuais em relação a 1999. Na Saxônia, o PSD sofreu uma queda de 9,3% a 9,8% dos votos.
Os resultados são divulgados apenas duas semanas depois de o PSD registrar seu pior resultado em 40 anos no estado ocidental de Saarland.
Os partidos extremistas tiraram um grande proveito da insatisfação dos eleitores com a economia 14 anos depois da unificação alemã. O Partido Democrático Nacional (PDN/neofascista) obteve na Saxônia 9% dos votos - contra 1,4% cinco anos atrás -, um percentual muito acima dos 5% necessários para representação parlamentar.
Em Brandeburgo, o Partido do Povo Alemão (PPA/extrema-direita) melhorou seu desempenho entre 6,2% e 6,5% contra 5,3% cinco anos atrás.
O ex-comunista Partido do Socialismo Democrático (PSD), sucessor do partido que dirigiu a Alemanha Oriental por 40 anos, conseguiu melhorar seu desempenho nos dois estados, beneficiando-se da fama de defensor das causas do leste.
O PSD registrou entre 26,6% e 27,8% das intenções de voto em Brandeburgo contra 23,3% em 1999. Na Saxônia, seu desempenho melhorou suavemente entre 23,4% e 23,6% contra 22,2% cinco anos atrás.
Schroeder pode encontrar algum consolo nas grandes perdas registradas pelos conservadores da União Democrata-Cristã (UDC), principal partido de oposição a nível nacional. Evidentemente, a UDC também pagou o preço por seu apoio às impopulares reformas econômicas de Schroeder.
A UDC perdeu mais de 13 pontos percentuais na Saxônia, onde governou por maioria absoluta, ficando com 41,2% e 41,6%, e mais de seis pontos percentuais em Brandeburgo, entre 18,9% e 19,4% contra 26,5% em 1999.
O secretário-geral da UDC, Laurenz Meyer, admitiu que os resultados foram uma decepção. ''Esperávamos um resultado melhor na Saxônia'', disse ele, atribuindo a''o clima de insegurança e protesto'' a culpa pela queda nos números.
Cerca de 5,7 milhões de pessoas foram convocadas para estas eleições, com mais de um terço do eleitorado localizado no leste. O desempenho da extrema-direita representa uma pedra no sapato na Alemanha, que ainda carrega o forte estigma de seu passado nazista, mas especialistas garantem que nenhum partido deverá exercer forte influência sobre as diretrizes em seus estados.
Dois possíveis desastres que analistas consideraram possíveis - que o PDN derrotasse o partido de Schroeder na Saxônia ou que os antigos comunistas superassem o PSD em Brandeburgo - parecem ter sido evitados.
O premier de Brandeburgo, Matthias Platzeck, do PSD, que ao que tudo indica conseguirá continuar sua ampla coalizão com a UDC no estado, disse que as eleições foram uma dura batalha. ''Lutamos como leões'', afirmou, acrescentando que as dificuldades econômicas do estado serão um desafio ainda maior.
''Ainda haverá tempos difíceis'', afirmou. Os resultados espelham a profunda frustração dos eleitores do leste com os prolongados problemas econômicos e uma persistentemente alta taxa de desemprego - 18,5% -, que é o dobro da registrada no oeste.
Schroeder deu início a uma ampla reforma com vistas a cortar o desemprego e aquecer a economia, o que causou protestos maciços durante a semana, concentrados no leste. Os eleitores desta região sentem que serão mais afetados por medidas para cortar os benefícios sociais e induzir os desempregados a procurar emprego num mercado de trabalho que não dá sinais de melhora.

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