Eleição pode tirar esquerda chilena do poder
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Thiago Guimarães<br>Folhapress 
Santiago, Chile - O Chile vai às urnas hoje para definir um novo presidente, mas também o futuro da Concertação, a coalizão política mais forte da América Latina, que dirigiu a consolidação da democracia chilena em 20 anos de avanço econômico, estabilidade e progresso social. Pela primeira vez em 50 anos, a direita chega à eleição como favorita, com a candidatura do empresário Sebastián Piñera, bilionário que perdeu a disputa de 2005 no segundo turno para a atual presidente, Michelle Bachelet.
A eleição mais importante desde o plebiscito de 1988, que propunha mais oito anos de ditadura no país - proposta que acabou derrotada -, revela um Chile que não comporta mais ser compreendido pela velha polarização entre sim e não desse pleito, clivagem que se repetiu em todas as eleições desde então.
A expressão dessa mudança está na grande novidade da disputa: a candidatura de Marco Enríquez-Ominami, um deputado de 36 anos dissidente da Concertação que, sem base partidária e apelando aos descontentes, marca quase 20% nas pesquisas e chegou a ameaçar o segundo lugar do candidato do governo, o ex-presidente Eduardo Frei (1994-1999).
Em que pese a relevância da eleição, a campanha não entusiasmou os chilenos. Sinal, por um lado, de certo consenso sobre o rumo do país, com manutenção da democracia e economia aberta. Consenso que se traduziu no debate entre Piñera e Frei, centrado mais em como fazer melhor as coisas do que em mudanças radicais.


