Lurival Sant’anna
Agência Estado
de Montevidéu
Os candidatos Jorge Batlle, do Partido Colorado, e Tabaré Vázquez, da Frente Ampla, disputavam ontem, voto a voto, a presidência do Uruguai. As pesquisas indicavam empate técnico, com cada um na faixa dos 45% dos votos e ao redor de 6% de indecisos. A votação terminou às 19h30 (20h30 em Brasília).
Os resultados da boca-de-urna de diversos institutos de pesquisa e meios de comunicação ainda estavam sendo consolidados ontem à noite e a contagem dos votos avançaria pela madrugada. Os primeiros números oficiais só deveriam ser divulgados às 00h30 de hoje.
No primeiro turno, dia 31 de outubro, Tabaré obteve 39,06% dos votos; Batlle, 31,96% e o candidato blanco, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), 21,92%.
A tendência de crescimento favorece Batlle, que, em duas semanas, subiu até cinco pontos porcentuais, dependendo do instituto, para alcançar Tabaré. Com isso, o clima era de mais firmeza e confiança entre os colorados que entre os militantes da Frente Ampla. Integrantes do círculo íntimo de Tabaré chegaram a segredar que se preparavam para liderar a oposição. Mesmo assim, nenhum analista independente arriscava um palpite no início da noite de ontem.
‘‘Amanhã, tudo continuará igual, não vai acontecer nada’’, disse Tabaré, depois de votar - aparentemente traindo certo pessimismo íntimo quanto às próprias chances de vitória. O candidato socialista, um médico de 59 anos, ex-prefeito de Montevidéu (1990- 94), fez um apelo ‘‘pela paz e a cordialidade’’.
Tabaré votou às 8h30, meia hora depois do início da votação, no Hospital das Clínicas da prefeitura, no bairro popular de Belvedere.
Não muito longe dali, ao meio-dia, o senador Batlle, advogado de 72, chegava para votar, num colégio. O candidato não disse uma palavra sequer às dezenas de jornalistas que tentavam ouvi-lo.
Um grupo de simpatizantes, menos numeroso mas não menos entusiástico, aguardava-o. ‘‘Batlle é muito inteligente, enquanto Tabaré é um bom médico, mas não sabe nada de política e foi mau prefeito’’, disse Angela, de 69 anos, que não quis dar o sobrenome, por ‘‘medo’’, segundo ela, de represálias dos militantes da Frente Ampla.
O comparecimento dos uruguaios às urnas deve aproximar-se dos 100%, como é tradição no país, altamente politizado. Ontem, era comum ver velhinhos de mais de 90 anos, caminhando com dificuldade para sua seção eleitoral. Até mesmo o índice de votos brancos e nulos deve ficar bastante baixo. Os uruguaios gostam de votar e de decidir. O problema é que, dessa vez, eles ficaram divididos ao meio.

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