São Paulo - Mais de 8,5 milhões de iraquianos - cerca de 72% dos 12 milhões de eleitores registrados para as eleições legislativas do Iraque - compareceram às urnas ontem, em meio a ataques de rebeldes, que deixaram mais de 30 mortos no país.
O que anima tanto os iraquianos quanto a Comissão Eleitoral do país é que, com 72% de participação, as eleições podem ter sua legitimidade garantida -apesar de em muitas das localidades de maioria su© nita no país a participação ter sido prejudicada por surtos de violência, ameaças e boicotes.
Os iraquianos votaram para eleger 275 membros da Assembléia Nacional, que vai elaborar e aprovar uma nova Constituição para o País. Também foram escolhidos membros para 18 assembléias das províncias e 111 deputados do Parlamento autônomo curdo no norte do Iraque.
As urnas foram fechadas às 17 horas (12 horas em Brasília), como previsto inicialmente. Segundo a Comissão Eleitoral iraquiana, ainda foram admitidos nos postos de votação os eleitores que estavam nas filas. De acordo com o porta-voz da comissão, Farid Ayar, a polícia iraquiana fiscalizava as filas.
Violência - Uma série de ataques suicidas em Bagdá e em outras cidades do país, todos ocorridos perto de postos de votação, deixaram ao menos 33 mortos - apenas em Bagdá foram mais de 20, incluindo civis e policiais iraquianos. Na cidade de Abu Alwan, na província iraquiana de Babil (próxima a Bagdá), ao menos quatro pessoas morreram em um ataque suicida em um ônibus que levava eleitores a uma central de votação.
Os ataques concentraram-se em Bagdá, capital do país. Nove ataques suicidas atingiram postos de votação pela cidade. A autoria dos ataques foi reivindicada pelo grupo do terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi, ligado à Al Qaeda (de Osama bin Laden), em um comunicado na internet. Al Zarqawi é o principal inimigo dos EUA em liberdade no Iraque. Por sua captura, o Pentágono oferece US$ 25 milhões.
Nas cidades de maioria su© nita (vertente religiosa à qual pertencia o ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein), como Samarra, Fallujah e Ramadi, a participação foi fraca e diversos postos de votação permaneceram fechados.
O ministro interino da Defesa, Hazim al Shaalan, disse que a violência poderia ter sido maior no país se não tivesse sido proibida a circulação de carros de particulares pelas ruas - o que teria aumentado muito o risco de mais ataques com carros-bomba pelo país. Ontem, ruas e estradas, bem como ligações entre as fronteiras do Iraque e aeroportos, foram fechados com barricadas e apenas veículos oficiais tiveram permissão para circular.

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