Londres - Quase dois anos depois da queda do regime de Saddam Hussein, milhares de iraquianos radicados no exterior começaram a votar ontem em 14 países, alguns deles em lágrimas, na primeira eleição livre no Iraque em meio século.
Ao todo, cerca de 280 mil imigrantes iraquianos se inscreveram para votar, segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), que preparou a votação no exterior, que começou ontem e terminará amanhã, dia das eleições no Iraque.
A votação dos iraquianos no exterior ocorre em 14 países, entre eles Austrália, Canadá, Dinamarca, França, Alemanha, Irã, Holanda, Síria, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Jordânia.
Em Londres, a votação começou às 7h locais de ontem (5h de Brasília) no meio de fortes medidas de segurança, mas num ambiente de claro otimismo. ''Estou louca de felicidade, não dormi toda a noite por excitação, é um momento histórico'', exclamou Eman al-Kati, uma mulher de 47 anos que votou em Wembley, noroeste de Londres.
''É incrivelmente emocionante'', declarou um curdo de 45 anos, Handren Marph, um dos primeiros a votar no norte de Londres. ''Sinto esperança e medo - medo porque a liberdade pode não regressar ao país, mas esperança porque uma nova constituição pode nos dar proteção e oportunidade para todos'', disse. ''Creio que há esperança para o futuro agora'', e a votação ''é uma maneira de derrotar o terrorismo em nosso país'', acrescentou.
Cerca de 31 mil iraquianos, entre os quase 250 mil que residem na Grã-Bretanha se inscreveram para participar na votação nas três cidades credenciadas: Londres, Manchester (norte da Inglaterra) e Glasgow (Escócia).
Na Austrália, cerca de 12 mil iraquianos, de um total de 90 mil, estão aptos a votar. ''Creio que muitos iraquianos se sentem orgulhosos hoje'', afirmou Kassim Abood, um funcionário da OIM. ''As pessoas me encontram, me abraçam e me dizem 'parabéns'. É magnífico'', afirmou.
Em Dubai, o primeiro a votar foi um médico de 60 anos, Nazem Kazem Saoodi, que afirmou que essa era ''uma oportunidade que esperava há décadas''.
No Irã, onde 60.908 iraquianos se inscreveram para votar, os eleitores se reuniram desde muito cedo na mesquita de Najafiha, em Qom, para depositar seu voto. ''Votar é um dever religioso e divino'', afirmou Samir al-Shamari, de 35 anos, um xiita estudante de teologia. ''O futuro governo deve ser islâmico'', assegurou.

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