ESPANHA Eleição deve confirmar Aznar no poder Apesar de não conseguir a maioria absoluta dos votos, o centro-direita vai continuar mantendo posição estratégica no novo Congresso espanhol France PresseFAVORITOAznar: partido do atual chefe de governo terá que fazer alianças para garantir maioria no parlamento Associated Press De Madri Os 34 milhões de eleitores espanhóis (4,3 milhões só em Madri) decidirão hoje se o governo de centro-direita de José María Aznar, do Partido Popular (PP), vai continuar a ser uma das três exceções entre os países da União Européia (UE) – 12 dos 15 membros são governados pela social-democracia. O PP é o favorito nesse confronto com o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), hoje liderado por Joaquín Almunia, sucessor de Felipe González, cuja sombra permanece sempre presente na política espanhola. As últimas pesquisas divulgadas pelo diário El País, de Madri, e pelo El Periódico, de Barcelona, dão vantagem de 4 a 4,5 pontos percentuais para o PP, mas não lhe garantem maioria absoluta de 175 cadeiras nas Cortes, o Parlamento espanhol. O partido de Aznar poderá obter de 165 a 170 cadeiras no Parlamento e os socialistas, entre 135 e 140. Isso quer dizer que ambos os partidos terão de fazer alianças para poder garantir uma maioria parlamentar. O PP deve melhorar sua posição em relação à eleição anterior, de 1996, quando elegeu 156 deputados e seu adversário socialista, 141. O partido de Aznar vai tentar renovar sua aliança com o CiU, o grupo catalão de Jordi Pujol, que fará exigências importantes, entre as quais a redução do déficit público da região da Catalunha. Na legislatura passada, os 21 deputados e oito senadores desse partido garantiram a maioria governamental no Parlamento. Uma nova aliança com o Partido Nacionalista Basco (PNV), presidido por Xabier Arzalluz, parece afastada, depois da recente ruptura. Quanto aos socialistas, sua aliança principal ocorre pela primeira vez com os antigos comunistas da Esquerda Unida (IU), hoje dirigida por Francisco Frutos, após o afastamento de Julio Anguita. No encerramento da campanha, o dirigente da IU reafirmou que o acordo com o PSOE é muito importante hoje e no futuro, procurando transmitir confiança a seus eleitores - os quais durante toda a campanha não digeriram o comportamento de Almunia, que não levou muito em conta certas aspirações da IU, incluindo o projeto de 35 horas semanais de trabalho, hoje lei na França. Segundo Frutos, o passo em direção à união deve tornar-se irreversível. Ele frisou que o acordo firmado serve ‘‘para ganhar e governar’’. O objetivo é transformar os pontos centrais do trato eleitoral entre os dois partidos em pacto de governo, com a participação de ministros comunistas no gabinete. Aliás, uma pesquisa revela que os espanhóis já superaram a fase em que a presença da esquerda no poder os atemorizava.