Ramallah, Cisjordânia - Os palestinos foram às urnas ontem para escolher o sucessor de Iasser Arafat na segunda eleição da história da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em meio à violência.
  No sul do Líbano, o Hizbollah [grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano] detonou uma bomba em uma estrada destruindo um veículo militar. De acordo com a rede de TV árabe Al Jazira (Qatar), um oficial foi morto e três soldados ficaram feridos no ataque. Segundo o Exército de Israel, o ataque feriu dois soldados.
  Em resposta, Israel lançou um ataque aéreo contra supostos alvos do grupo no Líbano, causando a morte de um observador internacional francês e ferindo outro, cuja nacionalidade ainda não foi determinada, segundo fontes da ONU (Organização das Nações Unidas) citadas por agências internacionais.
  De acordo com a segurança libanesa, os aviões dispararam mísseis contra um posto de observação do grupo perto do assentamento de Metullah e contra outra posição em Rweisat. Cerca de 15 bombas caíram na cidade libanesa de Kar Chouba, segundo relatos dessas fontes. Testemunhas disseram que militantes palestinos dispararam dois mísseis contra Israel, da faixa de Gaza, mas não há informações sobre feridos.
  O grande favorito às eleições, o dirigente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmoud Abbas, votou na Mukata [o complexo da ANP na cidade de Ramallah], na Cisjordânia, diante de um retrato do líder palestino morto Iasser Arafat. ‘‘Nós ouvimos que há um grande comparecimento, especialmente de mulheres, e isto é muito bom’’, disse Abbas. Segundo ele, ‘‘as eleições vão muito bem e isto prova que o povo palestino está indo em direção à democracia. Há obstáculos, mas a determinação do povo palestino é mais forte’’.
  No total, 1,8 milhão de palestinos maiores de 18 anos têm direito a voto - ele não é obrigatório - em Gaza e na Cisjordânia e 70% deles estavam cadastrados para votar, de acordo com a Comissão Eleitoral Central (CEC), apesar dos pedidos de boicote feitos por grupos extremistas. Os palestinos que não se inscreveram, no entanto, podiam votar apresentando o documento de identidade. Não tiveram direito a voto todos os refugiados palestinos que vivem na Jordânia, Líbano ou Síria e boa parte dos moradores de acampamentos espalhados por Gaza e Cisjordânia, onde a população palestina supera 4 milhões de pessoas.
  A apuração dos votos começaria imediatamente depois do fechamento dos locais de votação e os resultados preliminares devem ser divulgados na manhã de hoje.
  O candidato que receber o maior número de votos [não é necessário obter a maioria] será proclamado presidente da ANP, sucessor de Arafat, que morreu no dia 11 de novembro, na França.

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