Eleição coloca Lagos em alerta
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Associated Press De Santiago 
Após obter 52,11% dos votos nas eleições municipais de domingo, a coalizão governante do presidente chileno Ricardo Lagos se dispõe a lançar uma ofensiva contra o desemprego no país que considera a principal razão da queda de 5% do apoio eleitoral ao governo, em relação às eleições municipais de 1996, e da perda de algumas prefeituras-chave no jogo político, como a de Santiago, a capital.
O resultado majoritário surpreendeu a aliança formada pelos partidos Democrata Cristão, Socialista e Social-Democrata, superando suas expectativas, que calculavam em 48% a margem de apoio ao governo.
A essa diferença favorável, no entanto, se contrapõe o crescimento da direita, de 8% em relação às eleições de 1996 (de 32% para 40,10%), além da conquista, entre outras, das prefeituras de Concepción e de Santiago onde o líder direitista e ex-candidato presidencial Joaquín Lavín arrasou e dobrou a votação da ex-primeira-dama Marta Larraechea, esposa dos ex-presidente Eduardo Frei, o que o coloca desde já como candidato presidencial.
A direita conseguiu conquistar prefeituras de setores populares que já foram baluartes da esquerda ou do centro governista. E foi principalmente a União Democrata Independente (UDI), o mais conservador dos partidos direitistas, o que conseguiu arrebatar esses municípios das mãos do governo.
A reação de Lagos e dos dirigentes de sua coalizão foi de moderada satisfação frente aos resultados das urnas. O cenário não poderia ser melhor devido aos efeitos da crise econômica e a lentidão da reativação, com um índice de desemprego em torno de 10,7%, que afeta mais de 600 mil chilenos. A isto se junta o escândalo das milionárias indenizações recebidas por alguns altos funcionários do governo. Para o senador socicalista Carlos Ominami, o resultado eleitoral foi decente, mas preocupante.


