Jacarta, Indonésia – Sob grande assédio da imprensa indonésia, o corpo do paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, chegou no início da tarde de ontem, hora local, ao hospital São Carolus, em Jacarta, capital do país. A ambulância com o caixão branco que carregava o corpo veio direto da ilha de Nusakambangan, onde o brasileiro foi fuzilado por volta de 0h30, tarde de terça-feira no Brasil. Ele foi condenado à morte por tráfico de drogas, depois de ter entrado no país com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Repórteres e cinegrafistas cercaram a ambulância.
Prima de Gularte, Angelita Muxfeldt, 49, afirmou à imprensa local, em inglês, que o brasileiro "está em um lugar melhor". Ela estava no comboio que trouxe o corpo. Com Angelita também estava Leonardo Monteiro, encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Jacarta. O corpo de Gularte será preparado nos próximos dias para ser levado ao Brasil, para ser enterrado em Curitiba. Num último encontro antes da morte, ele pediu à prima que fosse enterrado no Brasil. Em razão da burocracia, a liberação do corpo deve levar ainda algumas semanas.
Angelita Muxfeldt participou da missa em memória do primo ontem. Um dia antes, ela esteve na ilha de Nusakambangan (400 km da capital indonésia), onde ocorreu o fuzilamento.
A cerimônia religiosa ocorreu diante do corpo de Gularte, que estava em um caixão branco. Além de Angelita, estavam presentes funcionários da embaixada do Brasil em Jacarta, entre eles Leonardo Monteiro, encarregado de negócios local. Ele foi responsável pelo reconhecimento do corpo do brasileiro após a execução. Gularte foi acompanhado pelo padre Charles Burrows durante a execução.

HINOS RELIGIOSOS
Além do brasileiro, foram executados dois australianos, quatro nigerianos e um indonésio. Os condenados se recusaram a usar vendas e cantaram músicas religiosas, incluindo o hino cristão inglês Amazing Grace, quando foram levados para o local da execução. À meia-noite, horário marcado para a execução, um grupo de parentes e amigos também cantou hinos religiosos durante uma vigília no porto de Cilacap, ponto de saída para a prisão da ilha de Nusakambangan. Depois das execuções, familiares se abraçaram, aos prantos. Angelita também não conteve as lágrimas e teve de ser consolada por Burrows. Gularte foi o segundo brasileiro executado no exterior em tempos de paz. Em janeiro deste ano, o traficante Marco Archer Cardoso Moreira, 53, também foi fuzilado nessa mesma ilha indonésia, a 400 km da capital Jacarta.

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