São Paulo - O opositor Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da (Agência Atômica das Nações Unidas), criticou as negociações entre o governo do Egito e representantes da oposição. Ele afirmou que as negociações encabeçadas pelo vice-presidente Omar Suleiman foram dirigidas pelas mesmas pessoas que comandaram o país nos últimos 30 anos e que, por isso, sofrem de falta de credibilidade.
Segundo ele, as negociações não são um passo em direção à mudança que os manifestantes antigoverno têm demandado nos últimos 13 dias, pedindo pela saída do poder do ditador egípcio, Hosni Mubarak. ''O processo é opaco. Ninguém sabe quem está falando com quem nesse estágio'', disse ElBaradei ao programa ''Meet the Press'' da emissora americana NBC.
Ontem, Suleiman e representantes da oposição fecharam acordo para fazer reformas na Constituição e encerrar a Lei de Emergência, vigente no país desde 1981, informou a televisão estatal do país. As duas partes acordaram com uma reforma para os artigos 76 e 77 do texto constitucional, que estipulam os requisitos para a candidatura presidencial e o número de mandatos que pode permanecer no poder.
O porta-voz do governo, Magdi Radi, informou que as reformas devem ser implementadas antes da primeira semana de março. Segundo ele, houve um ''consenso sobre a formação de um comitê, que contará com o poder judiciário e um certo número de representantes políticos, para estudar e propor as emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias''.
A Irmandade Muçulmana, um dos grupos mais influentes da oposição ao regime, aceito ontem entrar oficialmente no diálogo para colocar fim à atual crise do país. As conversas com o vice-presidente reúnem representantes da Irmandade Muçulmana, do Partido Wafd (liberal) e do Tagammou (esquerda), que fazem parte de um comitê escolhido por grupos defensores da democracia. Estes lançaram o movimento de contestação que exige, desde 25 de janeiro, a saída de Mubarak.
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, apoiou a participação da Irmandade Muçulmana no diálogo com as autoridades do Egito. Nas últimas declarações, representantes norte-americanos apontaram Suleiman como a pessoa mais indicada para conduzir um governo de transição no país.

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