El Salvador amanheceu, ontem, em meio a um clima de tristeza e desolação depois do terremoto de terça-feira, o segundo em um mês, que até o momento havia deixado 274 mortos, 2.200 feridos e 80.000 desabrigados, de acordo com informações oficiais. Os mortos se somaram aos 827 deixados pelo terremoto de 13 de janeiro e os 80.000 desabrigados, ao 1,1 milhão de há um mês. O país conta com uma população total de 6,1 milhões.
De acordo com relatórios da presidência salvadorenha, centenas de casas, escolas, colégios, igrejas e edifícios públicos transformaram-se em escombros em apenas 20 segundos, o quanto durou o terremoto iniciado às 8h22 locais de terça-feira (12h22 de Brasília), que alcançou a magnitude de 6,1 graus na escala Richter, com epicentro em San Pedro Nonualco (60 km a oeste de San Salvador) e uma profundidade focal de 8,2 km.
Durante a madrugada de ontem, centenas de civis, soldados e policiais trabalharam na remoção de escombros, em busca de sobreviventes, sobretudo nos departamentos de San Vicente, La Paz, Cuscatlán, La Libertad e San Salvador, os mais afetados.
‘‘Os soldados buscaram sobreviventes com lanternas em povoados arrasados pelo terremoto que não dispunham de eletricidade e que tiveram as comunicações cortadas com o restante do território’’, declarou à AFP o porta-voz do exército, coronel Rigoberto Alas.
O presidente Francisco Flores fez um veemente apelo por ajuda à comunidade internacional.
Em bairros da periferia da capital e cidades como San Vicente, centenas de pessoas passaram a noite nas ruas, suportando fome e frio, temerosas de novos tremores, enquanto outras buscavam entre os escombros os familiares desaparecidos.
A TV prosseguia difundindo imagens dramáticas, como o caso de uma escola no município de Candelaria, 40 km a leste da capital, onde cerca de 20 crianças ficaram soterradas junto com a professora.
Ontem pela manhã, helicópteros do exército voltaram aos trabalhos de salvamento, em busca de sobreviventes em aldeias que tiveram seus acessos cortados pela destruição de estradas e de pontes.
O violento terremoto ativou antigas e novas falhas locais que ameaçam a capital, San Salvador, e que mantêm na insegurança a população, informou ontem o Centro de Investigações Geotécnicas (CIG). O CIG advertiu sobre a ativação de velhas falhas locais e a detecção de novas falhas, que constituem uma ameaça para a capital, onde residem 513.000 dos 6,1 milhões de habitantes do país.

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