Ehud Barak tenta formar nova coalizão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de agosto de 2000
France Presse De Jerusalém 
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, declarou ontem em Jerusalém que estava disposto a estudar todas as possibilidades para formar um governo de urgência nacional o mais amplo possível, no momento em que já não dispõe de maioria no parlamento.
Barak destacou várias opções possíveis, como a formação de um governo de união nacional com a oposição de direita, de um governo minoritário ou o regresso de determinados partidos que saíram da coalizão governamental em julho.
Uma proposta de lei sobre a convocação de eleições antecipadas apresentada pela oposição, que será examinada hoje no parlamento em leitura preliminar, tem muitas probabilidades de ser adotada, segundo os analistas.
A porta está aberta para todos aqueles que estejam dispostos a compartilhar responsabilidades, afirmou Barak em entrevista à televisão pública.
Durante os próximos dias, discutirei com os líderes de diferentes partidos sobre a eventual constituição de um governo de urgência nacional o mais amplo possível, para verificar se é possível chegar a acordos com nossos vizinhos (palestinos), assegurou Barak.
Se chegarmos a conclusão de que é impossível, estaremos juntos para enfrentar confrontos, indicou o primeiro-ministro referindo-se a uma possível escalada de violência nos territórios palestinos.
O novo presidente conservador israelense, Moshé Katsav, cuja eleição continua causando surpresa, foi empossado ontem, depois de prometer não envolver-se em política. Katsav, de 55 anos, primeiro chefe de Estado israelense pertencente ao Likud, principal partido de oposição de direita, prestou juramento no cargo ante o Knesset (Parlamento unicameral).
Sua eleição por 63 votos contra 57 do Prêmio Nobel da Paz Shimon Peres constitui um novo revés para Ehud Barak, que havia perdido sua maioria governamental nas vésperas do início do encontro de Camp David no dia 10 de julho.
A imprensa lamentou ontem a tragédia de Peres e a vergonha que significou a votação do Knesset, enquanto Leah Rabin, a viúva do ex-primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, declarou-se escandalizada com a derrota de Peres.
A tragédia de Peres está no fato de que sempre esteve condenado a contentar-se com a medalha de prata e jamais com a medalha de ouro, afirma em seu editorial o jornal independente Maariv.
Peres tira sua imensa vitalidade de cada nova derrota. Um dia se dirá de todo grande homem que tenha perdido: perdeu como Shimon Peres, afirma o jornal liberal Haaretz.


