Cristhian Chaise
France Presse
De Jerusalém
O governo de Ehud Barak mostrou-se ontem firmemente decidido a aplicar o acordo israelense-palestino de Charm el-Cheikj apesar dos atentados com carro-bomba praticados domingo em Israel, que o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, condenou com veemência.
‘‘Israel não tem motivos para não aplicar os tratados (sobre a aplicação do memorando de Wye Plantation, concluídos domingo no balneário egípcio)’’, declarou Ephraim Sneh, vice-ministro da Defesa.
Ele elogiou os esforços realizados pela Autoridade Palestina de Yasser Arafat, aos quais qualificou de ‘‘sinceros, sérios e relativamente eficazes para impedir os ataques terroristas’’.
Na véspera, após as explosões de Tiberíades e Haifa, Sneh manifestou sua oposição a interromper o processo de paz por causa da violência, porque suporia ‘‘acompanhar o jogo dos terroristas’’, outorgando-lhes uma espécie do direito a veto.
Nesta oportunidade, provavelmente a identidade dos terroristas facilitou a postura do governo de Barak.
Os três autores dos atentados – mortos quando as cargas explodiram antes do previsto – eram árabe-israelenses procedentes do norte de Israel, segundo fontes palestinos.
A polícia israelense se recusa a fazer comentários, já que um tribunal israelense decretou sigilo na investigação.
Após o duplo atentado, comentou-se que o fundamental para Barak era verificar a identidade dos terroristas ‘‘se viessem dos territórios palestinos para depois agir em consequência’’.
Arafat telefonou a ele pouco depois das explosões para condená-las, qualificando-as de ‘‘atividades destrutivas a combater’’.
Portanto, o governo israelense aplicaria nos próximos dias a primeira medida disposta pelo acordo, que consiste na liberação de um primeiro grupo de 200 presos palestinos detidos por atividades contra o Estado hebreu.
O líder do Likud (oposição da direita israelense), Ariel Sharon, fez um apelo a Barak para que não liberte os prisioneiros’’.
‘‘Sejam quais forem os autores (dos atentados)’’, disse.
‘‘Estão inspirados na propaganda antiisraelense publicada na imprensa e na rádio palestinas’’, afirmou.
Além deste atentado, existiriam supostamente projetos terroristas por parte do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica, a mais radicais das formações contrárias ao diálogo com os israelenses), segundo Tayeb Abdel Rajim, ligado a Arafat.
A imprensa israelense, como no caso do jornal Ma’ariv, constatou esta segunda-feira em suas páginas a relativa facilidade existente para mobilizar um carro-bomba pelo centro de uma cidade apesar das medidas de segurança mobilizadas pelas polícias israelense e palestina.
Resta ainda verificar a reação da população israelense caso os atentados se multipliquem, como advertiu este domingo Gilad Sher, um dos negociadores israelenses.
Esta foi a causa que provocou em 1996 a queda do governo trabalhista de Shimon Peres e um bloqueio de três anos do processo de paz.
O gabinete palestino reunido nesta segunda-feira em Gaza aprovou por ampla maioria, na presença do presidente do Conselho legislativo palestino Ahmed Qorei (Abu Alaa) o acordo de Charm el Cheij (Egito), informaram fontes oficiais.O acordo de Charm el-Cheij, assinado no domingo no Egito e que retoma processo de paz entre Israel e a AP, sobrevive à primeira prova
France PresseO gabinete palestino, presidido por Yasser Arafat, aprovou ontem em Gaza o acordo de Charm el Cheij, assinado no domingo

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