A agência oficial egípcia Mena mencionou ontem a hipótese de um ‘‘complô racista’’ ao relatar o acidente em que morreram Diana e Dodi Al Fayed. ‘‘A maneira como se produziram os acontecimentos e o ataque racista bárbaro (dos fotógrafos) que precederam o acidente sugerem que poderia tratar-se de um complô’’, informou a Mena.
‘‘A imprensa britânica fez uma guerra sem quartel à família Al Fayed depois do anúncio de um possível relacionamento entre Emad (Dodi) e Diana, e os jornais demonstraram um racismo descarado’’, acrescentou a agência. ‘‘As vidas de Diana e de Emad Al Fayed terminaram por causa de um simples acidente de trânsito ou houve um complô para suprimir os mais célebres namorados do final do século 20?’’, indagou.
‘‘O racismo é flagrante’’, segundo a agência, que citou o fato de o pai de Dodi, o multimilionário Mohamed Al Fayed não ter conseguido a nacionalidade britânica. (Ele) ‘‘é egípcio e muçulmano, dois adjetivos suficientes para desencadear o racismo na sociedade britânica, que pretende no entanto ser democrática’’, estimou a Mena.
‘‘Os britânicos disseram que Diana havia se equivocado ao escolher, como substituição à realeza, um futuro marido árabe’’, acrescentou. ‘‘A Grã-Bretanha não se esquece que Al Fayed divulgou os nomes dos líderes do Partido Conservador a quem pagava suborno em troca de seus serviços’’, disse a agência oficial. A princesa Diana havia visitado o Egito duas vezes, a primeira a bordo do iate real Britannica, durante sua lua-de-mel com o príncipe Charles em 1981, e a segunda em maio de 1992.
Para as pessoas mais modestas do Cairo, não resta a menor dúvida: Diana e Dodi Al-Fayed foram eliminados pelos serviços secretos britânicos, decididos a impedir que a princesa se casasse com um egípcio e o relacionasse com a família real. Na hora do desjejum matinal nos cafés populares, a idéia de um complô foi tomando corpo. Um funcionário do Ministério da Agricultura, que preferiu manter-se no anonimato, afirmou que ‘‘está na cara que o acidente de Paris foi uma montagem dos serviços secretos. Não podiam consentir que Diana amasse um muçulmano’’.
ÉticaO cantor norte-americano Michael Jackson, ‘‘abalado’’ pela morte de Diana, cancelou ontem um show previsto para a noite em Ostende, na costa belga, segundo anunciou o organizador Paul Ambach; 60.000 pessoas, das quais 40.000 já estavam no local, segundo a rede de televisão privada RTL-TVI, deveriam assistir ao show.
Em Veneza, na Itália, comoção e indignação contra os ‘‘paparazzi’’ eram os sentimentos que predominavam ontem entre os fotógrafos presentes na Mostra Internacional de Cinema de Veneza, após ser conhecida a morte de Diana. Os fotógrafos credenciados no festival denunciaram a falta de ética dos ‘‘paparazzi’’, especializados em roubar a qualquer custo imagens da vida privada das celebridades.

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