Egito suspeita de complô racista
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Cairo 
A agência oficial egípcia Mena mencionou ontem a hipótese de um complô racista ao relatar o acidente em que morreram Diana e Dodi Al Fayed. A maneira como se produziram os acontecimentos e o ataque racista bárbaro (dos fotógrafos) que precederam o acidente sugerem que poderia tratar-se de um complô, informou a Mena.
A imprensa britânica fez uma guerra sem quartel à família Al Fayed depois do anúncio de um possível relacionamento entre Emad (Dodi) e Diana, e os jornais demonstraram um racismo descarado, acrescentou a agência. As vidas de Diana e de Emad Al Fayed terminaram por causa de um simples acidente de trânsito ou houve um complô para suprimir os mais célebres namorados do final do século 20?, indagou.
O racismo é flagrante, segundo a agência, que citou o fato de o pai de Dodi, o multimilionário Mohamed Al Fayed não ter conseguido a nacionalidade britânica. (Ele) é egípcio e muçulmano, dois adjetivos suficientes para desencadear o racismo na sociedade britânica, que pretende no entanto ser democrática, estimou a Mena.
Os britânicos disseram que Diana havia se equivocado ao escolher, como substituição à realeza, um futuro marido árabe, acrescentou. A Grã-Bretanha não se esquece que Al Fayed divulgou os nomes dos líderes do Partido Conservador a quem pagava suborno em troca de seus serviços, disse a agência oficial. A princesa Diana havia visitado o Egito duas vezes, a primeira a bordo do iate real Britannica, durante sua lua-de-mel com o príncipe Charles em 1981, e a segunda em maio de 1992.
Para as pessoas mais modestas do Cairo, não resta a menor dúvida: Diana e Dodi Al-Fayed foram eliminados pelos serviços secretos britânicos, decididos a impedir que a princesa se casasse com um egípcio e o relacionasse com a família real. Na hora do desjejum matinal nos cafés populares, a idéia de um complô foi tomando corpo. Um funcionário do Ministério da Agricultura, que preferiu manter-se no anonimato, afirmou que está na cara que o acidente de Paris foi uma montagem dos serviços secretos. Não podiam consentir que Diana amasse um muçulmano.
ÉticaO cantor norte-americano Michael Jackson, abalado pela morte de Diana, cancelou ontem um show previsto para a noite em Ostende, na costa belga, segundo anunciou o organizador Paul Ambach; 60.000 pessoas, das quais 40.000 já estavam no local, segundo a rede de televisão privada RTL-TVI, deveriam assistir ao show.
Em Veneza, na Itália, comoção e indignação contra os paparazzi eram os sentimentos que predominavam ontem entre os fotógrafos presentes na Mostra Internacional de Cinema de Veneza, após ser conhecida a morte de Diana. Os fotógrafos credenciados no festival denunciaram a falta de ética dos paparazzi, especializados em roubar a qualquer custo imagens da vida privada das celebridades.


