Numa mostra de descontentamento com Israel, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou ontem que seu embaixador no Estado judeu retornasse ao Egito – um endurecimento de posição num país que vinha sendo a principal voz de moderação no Oriente Médio.
A iniciativa foi aplaudida por árabes que têm pedido medidas mais duras contra Israel em vista dos quase dois meses de violência israelense-palestina. Mas o ministro do Exterior egípcio, Amr Moussa, afirmou que o Egito não abandonou o processo de paz ou tenha descartado futuros contatos com Israel.
Israel considerou que a iniciativa irá comprometer o antigo papel do Cairo como mediador do processo de paz. ‘‘Não estou, naturalmente, feliz com o fato de o Egito ter decidido fazer retornar o embaixador e espero que isso seja por pouco tempo’’, afirmou o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak. ‘‘Em última análise, temos de entender que o Egito tem um papel no processo de paz, um papel positivo, e eu não acredito que a retirada do embaixador contribua para a continuação desse papel positivo.’’
Momentos depois da declaração de Barak e a cerca de um quilômetro de distância, atiradores atingiram um carro israelense e feriram seriamente o motorista. Poucas horas antes nas proximidades, soldados israelenses guardando um assentamento judeu mataram a tiros um policial palestino.
A violência e a decisão egípcia ocorreram um dia depois que palestinos detonaram uma bomba ao lado de um ônibus escolar israelense, matando dois judeus e ferindo outros nove, e helicópteros e navios de guerra israelenses bombardearam Gaza, ferindo mais de 60 palestinos.
Outros três palestinos morreram em confrontos com soldados israelenses durante a madrugada e pela manhã na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
O ex-negociador palestino Hassan Asfur comentou: ‘‘Trata-se de uma mensagem de extrema importância para as nações árabes, para os Estados Unidos e para a comunidade internacional, é dizer que Israel deve pagar um preço por sua agressão.’’
Nos círculos oficiais palestinos acredita-se que a Jordânia também irá retirar seu embaixador de Tel Aviv. Egito e Jordânia são os dois únicos países árabes vizinhos que assinaram um tratado de paz com Israel.

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