Ansa
De Washington
Funcionários da Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos EUA, assistidos por especialistas egípcios, levarão alguns dias para concluir a transcrição dos dados das duas caixas-pretas do Boeing 767 da EgyptAir, que caiu no dia 31 perto da costa de Massachusetts. Mas fontes ligadas à investigação afirmam que os técnicos americanos estão cada dia mais convencidos de que houve uma luta no interior da cabine.
De acordo com informações extra-oficiais, a fita do gravador de cabine registrou a voz do co-piloto reserva, Gameel Batouty, proferindo, em árabe, uma oração islâmica que antecede momentos de morte. ‘‘Já tomei minha decisão; ponho minha fé nas mãos de Deus’’, disse o co-piloto, segundo a TV CNN.
‘‘Não creio que seja apropriado comentar o conteúdo das gravações nem especular sobre eles até que a investigação esteja encerrada’’, afirmou ontem o embaixador egípcio nos EUA, Nabil Fahmi. ‘‘Os egípcios estão aborrecidos com os vazamentos e especulações que cercam a investigação. Parte das informações está claramente incorreta e, mesmo a parte da informação que é correta, está incompleta.’’ No Cairo, familiares do co-piloto rechaçaram com veemência a versão de que ele estivesse disposto a se suicidar.
Segundo as especulações, Batouty tomou o comando do avião aproveitando-se da ausência do comandante, Ahmed Habashy. Quando o avião começou a perder altura, Habashy teria voltado à cabine e lutado com Batouty para retomar o controle. Antes, porém, o co-piloto teria desligado as turbinas.
Batouty teria, segundo alguns investigadores, motivos para suicidar-se. Uma filha dele, Aya, de 10 anos, está internada num hospital da Califórnia há seis meses, com uma grave doença que atinge o sistema imunológico. Além disso, Batouty, que tinha 59 anos, estava deprimido por ter de aposentar-se em março.

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