Cairo - Os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes islamitas deixaram 173 mortos no Egito durante a "sexta-feira da ira", manifestação convocada por partidários do presidente deposto Mohamed Mursi, confirmou o governo ontem. Segundo o porta-voz do primeiro-ministro, Sherif Shawki, 95 morreram no Cairo e 25 na Alexandria (norte), segunda cidade do país. O balanço inclui as vítimas registradas desde a tarde de sexta-feira até 10h (5h00 de Brasília) de ontem. Em 24 horas de tumultos, 1.330 ficaram feridos e nos últimos três dias, 57 policiais morreram.
Ontem, a polícia egípcia expulsou à força alguns dos islamitas entrincheirados há várias horas em uma mesquita do centro do Cairo, em meio a um intenso tiroteio.
A polícia também atirou para o alto com o objetivo de dispersar os moradores que estavam fora da mesquita e agrediam os islamitas, que eram retirados um a um do edifício, em uma praça impregnada de gás lacrimogêneo.
Quase mil pessoas chegaram a permanecer no interior da mesquita, segundo um dos islamitas, mas o número não pôde ser confirmado por uma fonte independente.
O confronto violento acontece no quarto dia de sangrentos distúrbios entre as forças de segurança, que receberam autorização de usar armamento letal contra os manifestantes hostis, e partidários do presidente islamita deposto Mohamed Mursi.
A agência de notícias estatal MENA informou que homens armados abriram fogo do interior da mesquita Al-Fath, enquanto imagens ao vivo exibidas pela televisão mostravam disparos do exterior em direção ao minarete.
A polícia conseguiu retirar à força pelo menos sete homens da mesquita, no início de um ataque ao local, mas a multidão de moradores agrediu os simpatizantes de Mursi com pedaços de pau e barras de ferro.
O filho de Mohamed Badie, Guia Supremo da Irmandade Muçulmana do Egito, morreu ao ser atingido por tiros nos confrontos de sexta-feira entre manifestantes e as forças de segurança no Cairo, informou o movimento neste sábado. "Ammar, filho de Mohamed Badie, o Guia Supremo da Irmandade Muçulmana, morreu ao ser atingido por munição letal no massacre de ontem na Praça Ramsés da capital", afirma um comunicado do movimento.
Além disso, o irmão do líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, foi detido ontem no Egito por "apoio" ao deposto presidente islamita Mohamed Mursi, anunciaram fontes dos serviços de segurança. Mohamed al-Zawahiri, egípcio que mora no Cairo, foi detido em Guizeh, subúrbio da capital, segundo as fontes, que pediram anonimato.
O Papa Francisco acompanha com "inquietação crescente as graves informações procedentes do Egito", segundo um comunicado da secretaria de imprensa do Vaticano. "O Papa continua rogando e desejando o fim da violência e que as partes em conflito escolham a via do diálogo e da reconciliação", afirma a nota.

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