Egito condena 21 à morte por massacre
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domingo, 27 de janeiro de 2013
Folhapress 
São Paulo - A Justiça do Egito condenou ontem à pena de morte 21 acusados de envolvimento no massacre após um jogo de futebol em Port Said, que deixou 74 mortos em fevereiro do ano passado. O veredito gerou protestos violentos, que terminaram com oito mortos.
Os confrontos aconteceram após familiares e amigos dos suspeitos do massacre tentarem invadir a prisão onde estavam os acusados. Houve uma reação violenta à repressão policial e pelo menos dois agentes e seis manifestantes morreram na ação. Segundo a rede de televisão pública, outras 50 pessoas ficaram feridas.
O Exército foi chamado para tentar conter a violência na região do tribunal e evitar que os protestos tomem maiores proporções em Port Said.
O massacre em Port Said, que aconteceu durante um jogo entre Al Ahly e Al Masry, foi a maior tragédia em um estádio de futebol da história do Egito. A tragédia engrossou os protestos violentos contra a junta militar que na época governava o país, após a queda do ditador Hosni Mubarak, em 2011.
Os acusados ainda podem recorrer contra a condenação, que será enviada ao mufti (líder islâmico supremo) egípcio, que rejeitará ou respaldará a decisão judicial. Outros 52 acusados ainda serão julgados em 9 de março, incluindo três agentes de segurança suspeitos de envolvimento no massacre.
A sentença foi lida em clima tenso, pois torcedores do Al Ahly ameaçaram mais atos violentos se os suspeitos não fossem condenados à morte. O juiz pediu calma diversas vezes durante a leitura do veredito e em outros momentos do julgamento.
Após a divulgação da decisão, as famílias dos mortos comemoraram. Um homem desmaiou e outros manifestantes choraram enquanto carregavam fotos de mortos na tragédia no estádio.
Tragédia
O massacre aconteceu em 1º de fevereiro de 2012, após uma partida em Port Said entre o Al Ahly, do Cairo, e o Al Masry, da cidade. Na ocasião, o time cairota perdia para o local por 3 a 1 quando centenas de torcedores do Al Masry invadiram o campo e lançaram pedras e garrafas contra torcedores do Al Ahly. Pelo menos 74 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. Nos dias seguintes à tragédia, mais 16 pessoas morreram em protestos no Cairo e em Suez.
Grupos de torcidas organizadas de ambos os times acusaram aliados do ditador Hosni Mubarak de estarem infiltrados entre os torcedores para poder provocar o confronto. A maioria dos grupos é de aliados políticos das forças que coordenaram a revolta que derrubou o ex-mandatário em 2011.
A ação acontece um dia depois da morte de nove manifestantes em protestos contra o governo do presidente Mohamed Mursi em diversas cidades egípcias. Centenas de pessoas ficaram feridas nas ações violentas, feitas no dia em que se comemoram os dois anos do início da revolta que derrubou Mubarak.


