Londres - O retorno dos 20 mil turistas britânicos de Sharm el-Sheikh pode ser mais demorado do que o esperado, depois que as autoridades egípcias autorizaram apenas oito dos 29 voos previstos ontem para repatriar os turistas bloqueados no balneário. "As companhias aéreas britânicas decidiram que os passageiros devem viajar apenas com as bagagens de mão, mas as áreas de armazenamento do aeroporto não permitem ter mais de 120 toneladas de malas", afirma um comunicado. "Este importante volume de bagagem afetaria o fluxo do tráfego aéreo nacional e internacional", completou o ministério.
O governo britânico anunciou a intenção de assumir por conta própria o retorno dos 20 mil britânicos presentes na cidade egípcia por suspeitar que o avião russo que caiu no sábado passado na Península do Sinai, procedente de Sharm el-Sheikh, foi alvo de atentado, que matou as 224 pessoas a bordo. Rússia e Egito consideraram "prematura" a suspeita e pedem que as autoridades britânicas aguardem os resultados da investigação oficial.
A análise das duas caixas-pretas, bem como dos dados coletados no local e a experiência dos investigadores permitem "privilegiar fortemente" a hipótese de um atentado como causa da queda do avião russo no Egito, anunciou ontem uma próxima às investigações.
A decodificação do gravador de dados de voo e do gravador de voz na cabine indicam que "tudo estava normal", tanto no nível dos instrumentos quanto no de conversações até o 24º minuto de voo, quando as duas máquinas pararam de funcionar repentinamente, um comportamento sintomático de uma "despressurização explosiva muito repentina", indicou esta fonte, que pediu para ter sua identidade preservada.
"A hipótese de uma explosão originada por uma falha técnica, um incêndio ou outra coisa parece extremamente improvável, já que os aparelhos que gravam teriam apontado algo antes da ruptura e/ou os pilotos teriam dito algo", avaliou a fonte. Ainda segundo a fonte, nas fotos dos destroços do avião, alguns deles parecem cheios de impactos de dentro para fora da aeronave, "o que tende a dar crédito à tese de um artefato pirotécnico".

PUTIN

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, decidiu ontem suspender todos os voos comerciais para o Egito. O movimento de Putin ocorre depois de os governos americano e britânico levantarem a hipótese de que o Airbus da Metrojet pode ter sido alvo de uma bomba plantada por extremistas islâmicos. Segundo o governo russo, os voos estão suspensos até que as causas da tragédia sejam esclarecidas.

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