Centenas de manifestantes voltaram a tomar as ruas do Cairo, no Egito, na manhã de hoje (29) pedindo a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak, pelo quinto dia consecutivo.

Há informações de disparos e colunas de fumaça branca, de gás lacrimogêneo, podem ser vistas pela cidade, enquanto as forças de segurança tentam dispersar os manifestantes.

Tanques, veículos blindados e soldados foram enviados para partes do Cairo que foram palco dos maiores protestos na sexta-feira, incluindo a principal avenida da cidade, onde ficam os escritórios da televisão e da rádio do Estado.

No entanto, de acordo com o enviado especial da BBC Brasil ao Cairo, Tariq Saleh, a capital egípcia parece mostrar alguns sinais de normalidade, com pessoas caminhando pelas ruas e a retomada parcial dos serviços de telefonia celular. Ontem, os serviços de internet e telefonia celular tinham sido, aparentemente, bloqueados no país.

Segundo fontes médicas, ao menos 13 pessoas morreram em Suez e cinco morreram no Cairo em confrontos na sexta-feira, o que eleva para 26 o total de mortes ocorridas desde que os protestos se iniciaram, na terça-feira.

Novo governo
No primeiro pronunciamento desde o início da onda de manifestações, o presidente, Hosni Mubarak, anunciou, ontem, a dissolução do governo. Mubarak deve nomear o novo gabinete ainda neste sábado.

Em discurso transmitido pela TV estatal, Mubarak, que está no poder desde 1981, disse ainda que os protestos não estariam ocorrendo caso seu governo não tivesse introduzido liberdades civis e de imprensa no país.

Ele defendeu a atuação das forças de segurança na repressão das manifestações e afirmou que não permitiria que o Egito, país tão importante para o norte da África e o Oriente Médio, seja desestabilizado.

O discurso de Mubarak ocorreu enquanto milhares de manifestantes desafiavam um toque de recolher imposto no país nesta sexta-feira, apesar da presença de militares nas ruas. Durante a madrugada ocorreram incêndios e saques às lojas da capital.

O Exército cercou o Museu Nacional do Egito, que fica próximo da sede do partido do governo, o Partido Nacional Democrático, incendiada pelos manifestantes. A operação no museu visa proteger os tesouros históricos do país, como a máscara de ouro do faraó Tutankhamon.

Os manifestantes também cercaram os prédios do Ministério das Relações Exteriores e da TV estatal durante a noite.

Inicialmente aplicado em três cidades (Cairo, Suez e Alexandria), o toque de recolher foi estendido a todo o território egípcio no início da noite (hora local, à tarde no Brasil), refletindo uma intensificação nos protestos durante o dia.

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