São Paulo - Dezenas de milhares de egípcios realizaram ontem uma ''Marcha pela Vitória'', no Cairo, para celebrar o fim do governo de 30 anos do ex-ditador Hosni Mubarak que, após 18 dias de protestos antirregime, renunciou há uma semana.
O xeque Yousef al Qaradawi, clérigo baseado no Catar e um dos primeiros a apoiar a revolução, disse que o medo foi tirado dos egípcios e afirmou estar confiante de que o Conselho Supremo das Forças Armadas, para quem Mubarak passou o poder, não irá trair a nação.
''Peço ao Exército egípcio que nos liberte do governo que Mubarak formou'', afirmou Waradawi aos fiéis durante a oração do meio-dia de ontem na Praça Tahrir - que foi o epicentro dos protestos -, depois do que a multidão aplaudiu e balançou a bandeira nacional. O líder espiritual pediu aos fiéis da mais populosa nação árabe do mundo que sejam pacientes com os novos governantes militares.
O atual gabinete é basicamente o mesmo que Mubarak apontou pouco antes de renunciar à Presidência e uma renovação é esperada para os próximos dias, abrindo um novo capítulo na história moderna do Egito.
A revolução no país, um aliado dos Estados Unidos e que assinou um tratado de paz com Israel, estremeceu a região. Protestos ocorrem na Líbia, Iêmen, Bahrein, Irã e Iraque.
Desde a tarde desta quinta-feira, o ambiente na praça e nos arredores era festivo e podiam ser vistos vários postos que vendiam bandeiras e cartazes que louvavam o que os egípcios não duvidam em chamar de revolução.
Mas a vida no país ainda está longe do normal uma semana após a revolta popular, focada na Praça Tahrir, com tanques nas ruas, bancos fechados, trabalhadores em greve, escolas fechadas e protestos contra o governo.
''Não queremos ver essas faces ligadas à corrupção, e violência, e camelos, matando pessoas'', disse Waradawi.
O Ministério da Saúde egípcio informou que 365 pessoas morreram nos 18 dias de protestos.

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