Educar meninas para acabar com pobreza
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Folhapress 
Brasília - Meninas com acesso ao ensino têm mais probabilidade de ter melhores condições de vida e maior poder de decisão na fase adulta, indica o relatório Demos uma Chance às Meninas, divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo a pesquisa, mães estudaram na infância são mais propensas a se esforçar para manter os filhos na escola. Evitar o trabalho infantil entre as meninas e garantir o direito à educação são, de acordo com o estudo, estratégias cruciais para promover o desenvolvimento delas.
Há poucos países e comunidades que oferecem às meninas as mesmas oportunidades oferecidas aos meninos. O acesso aos estudos é um dos direitos de todo ser humano, mas meninos e meninas recebem tratamento diferenciado em muitas partes do mundo. Os resultados são desigualdades evidentes, afirma o estudo.
As mulheres representam quase dois terços da população analfabeta mundia, dado que, de acordo com a pesquisa, reflete a magnitude das desigualdades na área de educação.
Em 2009, a Convenção 182 da OIT - que trata da proibição das piores formas de trabalho infantil - completa dez anos. O relatório da organização destaca que o Artigo 7 da convenção trata especificamente da situação de meninas e que, em 2007, foi adotado um plano de ação global com o propósito de erradicar todas as formas de trabalho infantil até 2016.
Degradante
A OIT estima que existam 100 milhões de meninas trabalhando no mundo, muitas delas em trabalhos degradantes. O alerta é feito às vésperas do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que se celebra hoje. No total, são 218 milhões de meninos e meninas trabalhando com idades entre 5 e 17 anos de idade. No Brasil, são 2,4 milhões.
O que a OIT alerta é que, com a crise econômica, as meninas estejam em especial risco de serem tiradas da escola e colocadas para ajudar as famílias a garantir uma renda mínima. Entre 2002 e 2006, o número de crianças trabalhando caiu no mundo de 248 milhões para 218 milhões.
Para a diretora da OIT no Brasil, Lais Abramo, o País conseguiu reduzir de forma importante o trabalho infantil nos últimos anos. A taxa no início da década era de cerca de 8 milhões de crianças trabalhando. Hoje, é 70% menor. Por outro lado, o número absoluto ainda é alto. Um dos problemas, segundo Lais Abramo, é que muitas crianças trabalham como domésticas, o que torna difícil uma ação. Em muitos casos, essa crianças trabalham até 15 horas por dia.


