Bra­sí­lia - Me­ni­nas com aces­so ao en­si­no têm ­mais pro­ba­bi­li­da­de de ter me­lho­res con­di­ções de vi­da e ­maior po­der de de­ci­são na fa­se adul­ta, in­di­ca o re­la­tó­rio De­mos uma Chan­ce às Me­ni­nas, di­vul­ga­do on­tem pe­la Or­ga­ni­za­ção In­ter­na­cio­nal do Tra­ba­lho (OIT).
  Se­gun­do a pes­qui­sa, ­mães es­tu­da­ram na in­fân­cia são ­mais pro­pen­sas a se es­for­çar pa­ra man­ter os fi­lhos na es­co­la. Evi­tar o tra­ba­lho in­fan­til en­tre as me­ni­nas e ga­ran­tir o di­rei­to à edu­ca­ção são, de acor­do com o es­tu­do, es­tra­té­gias cru­ciais pa­ra pro­mo­ver o de­sen­vol­vi­men­to de­las.
  Há pou­cos paí­ses e co­mu­ni­da­des que ofe­re­cem às me­ni­nas as mes­mas opor­tu­ni­da­des ofe­re­ci­das aos me­ni­nos. O aces­so aos es­tu­dos é um dos di­rei­tos de to­do ser hu­ma­no, mas me­ni­nos e me­ni­nas re­ce­bem tra­ta­men­to di­fe­ren­cia­do em mui­tas par­tes do mun­do. Os re­sul­ta­dos são de­si­gual­da­des evi­den­tes, afir­ma o es­tu­do.
  As mu­lhe­res re­pre­sen­tam qua­se ­dois ter­ços da po­pu­la­ção anal­fa­be­ta mun­dia, da­do que, de acor­do com a pes­qui­sa, re­fle­te a mag­ni­tu­de das de­si­gual­da­des na ­área de edu­ca­ção.
  Em 2009, a Con­ven­ção 182 da OIT - que tra­ta da proi­bi­ção das pio­res for­mas de tra­ba­lho in­fan­til - com­ple­ta dez ­anos. O re­la­tó­rio da or­ga­ni­za­ção des­ta­ca que o Ar­ti­go 7 da con­ven­ção tra­ta es­pe­ci­fi­ca­men­te da si­tua­ção de me­ni­nas e que, em 2007, foi ado­ta­do um pla­no de ­ação glo­bal com o pro­pó­si­to de er­ra­di­car to­das as for­mas de tra­ba­lho in­fan­til até 2016.
Degradante
  A OIT es­ti­ma que exis­tam 100 mi­lhões de me­ni­nas tra­ba­lhan­do no mun­do, mui­tas de­las em tra­ba­lhos de­gra­dan­tes. O aler­ta é fei­to às vés­pe­ras do Dia Mun­dial de Com­ba­te ao Tra­ba­lho In­fan­til, que se ce­le­bra ho­je. No to­tal, são 218 mi­lhões de me­ni­nos e me­ni­nas tra­ba­lhan­do com ida­des en­tre 5 e 17 ­anos de ida­de. No Bra­sil, são 2,4 mi­lhões.
  O que a OIT aler­ta é que, com a cri­se eco­nô­mi­ca, as me­ni­nas es­te­jam em es­pe­cial ris­co de se­rem ti­ra­das da es­co­la e co­lo­ca­das pa­ra aju­dar as fa­mí­lias a ga­ran­tir uma ren­da mí­ni­ma. En­tre 2002 e 2006, o nú­me­ro de crian­ças tra­ba­lhan­do ­caiu no mun­do de 248 mi­lhões pa­ra 218 mi­lhões.
  Pa­ra a di­re­to­ra da OIT no Bra­sil, ­Lais Abra­mo, o ­País con­se­guiu re­du­zir de for­ma im­por­tan­te o tra­ba­lho in­fan­til nos úl­ti­mos ­anos. A ta­xa no iní­cio da dé­ca­da era de cer­ca de 8 mi­lhões de crian­ças tra­ba­lhan­do. Ho­je, é 70% me­nor. Por ou­tro la­do, o nú­me­ro ab­so­lu­to ain­da é al­to. Um dos pro­ble­mas, se­gun­do ­Lais Abra­mo, é que mui­tas crian­ças tra­ba­lham co­mo do­més­ti­cas, o que tor­na di­fí­cil uma ­ação. Em mui­tos ca­sos, es­sa crian­ças tra­ba­lham até 15 ho­ras por dia.

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