Economistas veem 'estopim' de crise mundial
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quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Nelson Bortolin - Grupo Folha 
Economistas com os quais a FOLHA conversou dizem que o pedido de refinanciamento da dívida da Argentina é um fato grave e pode se tornar o “estopim” de uma crise mundial. “A Argentina já não era uma boa pagadora. Está com muitos problemas fiscais”, afirmou o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes da Silva. “Essa notícia não poderia vir em pior hora. Também estamos com problemas fiscais, mas não tão grave como o deles. Seria péssimo se a crise argentina se transformasse no estopim de uma crise mundial”, declarou.
Para o economista, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci, a situação argentina pode atingir todos os países emergentes, uma vez que os investidores tendem a levar seus ativos para países considerados mais seguros. “O pedido de moratória trará impactos significativos para os demais emergentes e pode trazer uma combinação que põe em cheque todas as demais nações. Podemos estar vivendo o estopim de uma crise com contornos mundiais”, alegou.
Rambalducci destacou que o Brasil tem reservas de US$ 386 bilhões e, mesmo assim, teve de vender a moeda norte-americana no mercado à vista para controlar o câmbio. “A Argentina, nosso principal parceiro comercial, tem reservas inferiores a US$ 62 bilhões, passa por uma crise econômica e política grave e terá mais dificuldades para atravessar a turbulência.”


