Economia global compromete poder dos EUA, diz Hobsbawn
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 1999
ANSA 
A longo prazo, o poder dos Estados Unidos não poderá sobreviver ao crescimento futuro da economia global. A opinião é de Eric Hobsbawn, professor emérito da Universidade de Londres, em artigo publicado na última edição da revista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
O professor comenta de maneira bastante crítica a liderança norte-americana. Ele diz que os EUA têm hoje uma posição sem precedentes. Não existe outro Estado ou combinação de Estados capaz de enfrentá-los em termos militares, observa o professor.
Para Hobsbawn, no final do século 20 o centro de gravidade da economia mundial começou a se deslocar dos países capitalistas originais para o Terceiro Mundo. Já não existe a divisão entre Primeiro Mundo, que concentra a maior parte do produto industrial e sua comercialização e o Terceiro, ligado ao primeiro como produtor de matérias, diz.
E acrescenta: A superioridade do Primeiro Mundo reside agora em operar como um conglomerado financeiro, ao invés de um centro produtivo, e em seu quase monopólio da pesquisa e o desenvolvimento científico tecnológico.
Hobsbawn qualifica os Estados Unidos como um império ideológico que sonha em transformar o mundo à sua própria imagem e semelhança.
O professor descreve a atitude da superpotência como a de proteger e impulsionar o capitalismo norte-americano por meio da ação política. Por essa razão, escreve. A política dos EUA tem sido intervencionista, primeiro no Hemisfério Ocidental, e agora globalmente.
Para o professor, a diminuição da hegemonia norte-americana se dará porque está acabando o consenso dos economistas, a utopia do capitalismo sem problemas, do fundamentalismo neoliberal.


