A longo prazo, o poder dos Estados Unidos não poderá sobreviver ao crescimento futuro da economia global. A opinião é de Eric Hobsbawn, professor emérito da Universidade de Londres, em artigo publicado na última edição da revista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
O professor comenta de maneira bastante crítica a liderança norte-americana. Ele diz que os EUA têm hoje uma posição sem precedentes. ‘‘Não existe outro Estado ou combinação de Estados capaz de enfrentá-los em termos militares’’, observa o professor.
Para Hobsbawn, no final do século 20 o centro de gravidade da economia mundial começou a se deslocar dos países capitalistas originais para o Terceiro Mundo. ‘‘Já não existe a divisão entre Primeiro Mundo, que concentra a maior parte do produto industrial e sua comercialização e o Terceiro, ligado ao primeiro como produtor de matérias’’, diz.
E acrescenta: ‘‘A superioridade do Primeiro Mundo reside agora em operar como um conglomerado financeiro, ao invés de um centro produtivo, e em seu quase monopólio da pesquisa e o desenvolvimento científico tecnológico’’.
Hobsbawn qualifica os Estados Unidos como ‘‘um império ideológico que sonha em transformar o mundo à sua própria imagem e semelhança’’.
O professor descreve a atitude da superpotência como a de ‘‘proteger e impulsionar o capitalismo norte-americano por meio da ação política’’. Por essa razão, escreve. ‘‘A política dos EUA tem sido intervencionista, primeiro no Hemisfério Ocidental, e agora globalmente’’.
Para o professor, a diminuição da hegemonia norte-americana se dará porque ‘‘está acabando o consenso dos economistas, a utopia do capitalismo sem problemas, do fundamentalismo neoliberal’’.

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